Falta percepção na transição para a economia de baixo carbono?

Detalhe do entardecer na Laguna Araruama (RJ), a maior massa de água hipersalina em estado permanente no mundo. Foto: Antonio Carlos Teixeira

 

Por Antonio Carlos Teixeira, editor do blog TerraGaia

 
Sabedoria, conhecimento ou informação: qual você prefere para direcionar a sua vida profissional ou civil? Independente da sua escolha, essas três palavras são capazes de influenciar não apenas as suas decisões, mas também o timing e a velocidade dos resultados esperados. Como diz o ditado: ¨Colhemos aquilo que plantamos¨. Ok, mas é preciso plantar na época certa, a partir da percepção dos sinais que o tempo nos dá. E o tempo, como nós sabemos, não para.

Já estamos na era da transição para uma economia global de baixa emissão de carbono? Sim. Não vou entrar no mérito sobre a geração em si e os efeitos das toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2), metano e demais gases de efeito estufa (GEE) nas nossas vidas e na dinâmica da Terra e seus ecossistemas, flora e fauna. A discussão que pretendo levantar aqui é o quanto o exercício da percepção é capaz de nos revelar se os nossos atuais modelos de produção e consumo estão aptos para garantir as condições de existência da biodiversidade no planeta.

Uma das primeiras ações que faço ao acordar pela manhã é abrir as janelas da minha residência para deixar o vento e os raios solares entrarem. Ar e luz natural, juntos, são um poderoso tônico que revigora, limpa e higieniza os ambientes. Essas forças, literalmente, têm energia! E, não por acaso, são duas importantes matrizes capazes de nos auxiliar neste período de transição, rumo a era do baixo carbono.

Digo ¨auxiliar¨ porque as energias naturais sempre estiveram ao nosso redor, mas, talvez, no passado, tenha nos faltado percepção suficiente para aplicá-las em benefício de todos nós. E, para ampliarmos as nossas ações ligadas a bem comum (expressão que atualmente conhecemos por ¨sustentabilidade¨), é importante tentarmos dar um passo em direção à revisão de nossos conceitos, práticas e pensamentos e sobre como esta mudança de rota pode colaborar com a atual fase de transição, prerrogativa para alcançarmos uma sociedade de baixa emissão de carbono.

Sofremos influência e somos parte integrante de uma cultura do desperdício, fruto de uma ¨geração do descartável¨ que joga tudo no lixo: desde copos, talheres e pratos de plástico/papelão até, recentemente, tevês, eletroeletrônicos e celulares. Jogamos tudo fora com a mesma velocidade que devastamos a superfície e as entranhas da Terra. Vamos em busca das mesmas matérias-primas que serão usadas para a fabricação de produtos, que igualmente serão descartados em lixões, rios, florestas e oceanos, após satisfazerem momentaneamente nossos egos e perenes desejos. Se insistirmos com a prática de tais comportamentos, ¨do jeito que está, não vai rolar¨.

Todos nós temos a responsabilidade de participar desta mudança de conduta, independente de condição profissional ou civil: empresários, industriais, pais, mães, presidentes, executivos, adultos, adolescentes, diretores, gerentes, solteiros, casados, empregados, patrões, estagiários, decanos… Afinal, somos todos cidadãos da mesma sociedade global, onde o ¨vento que venta lá, venta cá¨, como dizia um saudoso colega de infância. Podemos colaborar com a transição em qualquer lugar que estivermos: na nossa casa, no espaço urbano, no meio natural, no ambiente de trabalho. Sim: praticar a nossa percepção.

Percepção é pré-condição para a prática que visa a transformação. No nosso caso, o entendimento da necessidade de realizar esta transição e de tornar-se parte desse movimento em direção a uma economia planetária de baixa emissão de carbono. Precisamos assimilar o seu conceito, vislumbrar os seus benefícios e entender o que podemos fazer para chegar lá.

Por mais que tenhamos informações as mais diversas e conhecimentos vastos sobre vários temas e assuntos, a sabedoria sempre emergirá da nossa mente, dos nossos pensamentos, ambos nutridos pela nossa percepção acerca do mundo que habitamos e interagimos.

Na sua casa, no espaço urbano, no seu ambiente profissional: deixe entrar uma lufada de ar e de luz naturais. Embora simbólico, este pode ser o movimento primordial, inspirador, que impulsionará em cada um de nós ações que ajudarão a sedimentar o caminho para a sólida construção de uma sociedade global de baixo carbono.

Artigo publicado originalmente na rede social LinkedIn em fevereiro de 2017:

https://www.linkedin.com/pulse/falta-percep%C3%A7%C3%A3o-na-transi%C3%A7%C3%A3o-para-economia-de-baixo-carbono-teixeira

Anúncios

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Gestor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Manager for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
Esse post foi publicado em Carbono, Cidadania, Cidadania e Sustentabilidade, Cidades Sustentáveis, Comunicação, Comunicação Ambiental, Comunidades, Consciência ambiental, Desenvolvimento sustentável, economia de baixo carbono, Economia Verde-Green Economy, Empresas, Energias renováveis, Gestão sustentável, Governança, Jornalismo Ambiental, low carbon economy, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS, Responsabilidade corporativa, Responsabilidade socioambiental, Sustentabilidade, transição para uma economia de baixo carbono, Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, Transition to a low carbon society, Transition to Low Carbon Economy e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s