Cidades Sustentáveis: município catarinense de Xanxerê pode transformar em lei projeto de sacolas retornáveis

Iniciativa é do empresário Edson Marció, que realizou palestra na Câmara de Vereadores para sensibilizar os legisladores sobre os sete anos de atividades e de conquistas do projeto

Por Antonio Carlos Teixeira, editor do blog TerraGaia

No dia 26 de outubro, o empresário Edson Marció fez um balanço dos sete anos de atividades do projeto de sacolas retornáveis, implantado na cidade de Xanxerê, município localizado no oeste do estado de Santa Catarina. Como idealizador do projeto e representante do Sindicato do Comércio Varejista da cidade (Sincovar), Marció, dono de uma das redes de supermercados local, esteve na Câmara de Vereadores do município com o objetivo de sensibilizar os legisladores da cidade para a criação de uma lei que garanta a continuidade do projeto.

A ideia do projeto nasceu em 2008, a partir de um “insight” que Marció e amigos tiveram após o recebimento de um e-mail. A mensagem chamava a atenção para o perigo que o uso excessivo e o descarte inadequado das sacolas plásticas representam para a integridade dos ecossistemas e suas respectivas flora, fauna e recursos naturais, e também para a saúde das pessoas, em consequência do aumento da poluição e de processos de degradação ambiental provocados por este tipo de material quando em contato com a natureza. Decidido a levar a ideia adiante, Marció e seu grupo conseguiram o apoio do Executivo Municipal, de entidades de classe, lojistas e da maioria dos 29 supermercados da cidade. O apoio fundamental dos cidadãos xanxerenses veio por causa de todos os esclarecimentos que foram dados sobre o projeto, por meio de reuniões presenciais, parcerias com escolas, pesquisas, campanhas de conscientização, entrevistas com a imprensa local, reportagens e vídeos promocionais.

Só para se ter uma ideia do quão visionário foi esse projeto das sacolas retornáveis e do quanto ações assim podem avançar e gerar frutos para a sociedade, um mês após a sua implantação – em abril de 2009 -, a utilização de sacolas plásticas nas lojas e supermercados da cidade caiu de um milhão para menos de 100 mil unidades. Um ano depois, em abril de 2010, a cidade de Xanxerê deixou de consumir 40 toneladas de plástico! Estima-se que em seis anos, o projeto foi responsável pela excepcional marca de 240 toneladas de sacolas plásticas não utilizadas na cidade, com reflexos muito bem vistos nas vias urbanas, entorno, aterro sanitário, rios locais e no dia a dia dos cidadãos xanxerenses.

Eu conheci o projeto em 2011 e pude constatar pessoalmente, em 2012, a integração dos cidadãos ao “sacolas retornáveis”, percorrendo as vias urbanas e conversando com moradores e funcionários de supermercados e lojas locais.

Não tenho dúvida de que Xanxerê foi um dos primeiros – se não o primeiro! – dentre os 5.570 municípios brasileiros a implantar de forma consciente – sem a necessidade de lei! – um projeto de sacolas retornáveis com apoio massivo dos principais agentes locais: Executivo Municipal; empresariado; e cidadãos.

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O empresário Edson Marció faz palestra na Câmara de Vereadores de Xanxerê, SC: em um ano, o projeto de utilização de sacolas retornáveis evitou o consumo de 40 toneladas de plástico na cidade

“Nós tivemos apenas a ideia. Mas o projeto teve o envolvimento espontâneo de toda a sociedade xanxerense”, destaca Marció. E não é para menos: o projeto de sacolas retornáveis alcançou a aprovação de 87% da população local e gerou interesse em mais de 20 cidades dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Tive o prazer de apresentar e de incluir a experiência de Xanxerê no curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental que ministrei em 2014 para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em São Tomé e Príncipe (África). O projeto de sacolas retornáveis de Xanxerê é um “case” que merece ser apresentado em todos os lugares do mundo como uma experiência que nasceu de um “insight” e que motivou uma excepcional mudança de comportamento na vida das pessoas. Tal ação beneficiou cidadãos, a organização urbana e o meio ambiente locais, apenas com a disseminação de uma ideia que propõe um repensar sobre os nossos modos de produção e de consumo.

“Não queremos abolir o uso do plástico, mas sim dialogar com a população para que o seu uso seja responsável e consciente”, pondera o empresário.

Passados sete anos desde a sua implantação, o projeto de sacolas retornáveis inspirou a em Xanxerê a criação de novas  ações semelhantes de cunho socioambiental e de conscientização a respeito das nossas relações com o meio ambiente e a sustentabilidade. Acredito que, se a Câmara de Vereadores do município acolher o projeto e transformá-lo em lei, Xanxerê subirá mais um degrau em direção ao conceito de cidade sustentável e seguirá no caminho da transição para alcançar e colher os frutos de uma sociedade de baixa emissão de carbono.

Veja, abaixo, o vídeo da apresentação de Edson Marció na Câmara de Vereadores de Xanxerê sobre o projeto de sacolas retornáveis implantado na cidade:

 

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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