ONU divulga 1º relatório de acompanhamento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Menino em linha de trem próximo a favela no Camboja. Foto Zoriah CC

Menino em linha de trem próximo a favela no Camboja. Foto: Zoriah/CC

Enquanto o mundo inicia a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 objetivos, 13% da população mundial ainda vive em extrema pobreza, 800 milhões de pessoas passam fome e 2,4 bilhões não têm acesso a saneamento básico.

Os dados constam no relatório dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, documento que acompanha o progresso regional e global rumo às metas estabelecidas pelos países-membros das Nações Unidas em setembro de 2015.

Do site das Nações Unidas no Brasil

 

Enquanto o mundo inicia a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 objetivos, 13% da população mundial ainda vive em extrema pobreza, 800 milhões de pessoas passam fome e 2,4 bilhões não têm acesso a saneamento básico.

Os dados constam no primeiro relatório dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançado nesta terça-feira (19) pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Segundo o documento, o mundo está apenas no início de sua jornada rumo às metas globais, enquanto há desafios críticos para a conquista desses objetivos.

“É vital que iniciemos a implementação (dos ODS) com um senso de oportunidade e propósito baseado em uma avaliação acurada do mundo em que vivemos agora”, disse Ban.

Estabelecidos de forma unânime por líderes mundiais em reunião na sede da ONU em setembro do ano passado, os objetivos representam um plano ambicioso e ousado para acabar com a pobreza, reduzir as desigualdades e combater as mudanças do clima.

As metas são universais e pedem ação tanto de países desenvolvidos como de emergentes, assim como de todas as pessoas, para mobilizar esforços no sentido de garantir desenvolvimento econômico, progresso social e sustentabilidade ambiental globalmente.

O relatório inaugural dá um panorama dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, utilizando dados disponíveis para enfatizar alguns pontos críticos e desafios.

Enquanto os objetivos foram lançados há apenas sete meses — um período muito pequeno para uma real avaliação do progresso — o relatório apresenta tendências dos últimos anos em algumas áreas, assim como problemas, fornecendo um panorama do que é necessário fazer para alcançar as metas e garantir que ninguém seja deixado para trás.

Os ODS são construídos a partir das conquistas dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, que produziram o mais bem-sucedido movimento de combate à pobreza na história durante o período de 2000 a 2015.

De acordo com o relatório, a proporção da população mundial vivendo abaixo da pobreza extrema caiu para mais da metade entre 2002 e 2012. A proporção de crianças sofrendo de nanismo com menos de 5 anos caiu de 33% em 2000 para 24% em 2014.

Entre 1990 e 2015, os indicadores de mortalidade materna no mundo caíram 44%, enquanto o número de mortalidade de crianças com menos de 5 anos caiu para menos da metade.

Em 2015, 6,6 bilhões de pessoas, ou 91% da população global, usaram uma fonte melhorada de água potável, comparados a 82% em 2000. Além disso, a assistência oficial ao desenvolvimento totalizou 131,6 bilhões de dólares em 2015, aumento de 6,9% em termos reais na comparação com 2014 e representa o nível mais alto já alcançado.

Desafios e pontos críticos

No entanto, mais precisa ser feito para a conquista dos ODS. Apesar de a pobreza ter sido reduzida, uma em cada oito pessoas estavam vivendo na extrema pobreza em 2012.

A estimativa é de que 5,9 milhões de crianças com menos de 5 anos morreram em 2015, a maior parte por causas evitáveis, e 216 mulheres morreram no parto a cada 100 mil nascimentos. Em 2013, 59 milhões de crianças em idade escolar estavam fora da escola e 26% das mulheres com idade entre 20 e 24 anos se casaram antes de completar 18 anos.

Em 2015, estimadas 663 milhões de pessoas ainda usavam fontes de água insegura. Em 2012, 1,1 bilhão de pessoas ainda estavam sem acesso a esse serviço essencial.

“Não deixar ninguém para trás é um dos princípios da Agenda 2030. O primeiro relatório demonstra que os benefícios do desenvolvimento não estão sendo compartilhados igualmente entre todos”, disse Wu Hongbo, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais.

O relatório enfatiza que diversos grupos populacionais permanecem em ampla desvantagem. As desigualdades de renda são um dos principais desafios, sendo que alguns dados indicam que as crianças de lares mais pobres têm duas vezes mais chances de desenvolver nanismo. Da mesma forma, o desemprego tem três vezes mais incidência entre os jovens na comparação com os adultos.

No entanto, dados desagregados sobre todos os grupos mais vulneráveis — incluindo crianças, jovens, pessoas com deficiência, pessoas vivendo com HIV, idosos, indígenas, refugiados, pessoas deslocadas internamente e migrantes —, como especificado na Agenda 2030, são esparsos.

O fornecimento de dados constitui um tremendo desafio para todos os países, exigindo uma geração de informações coordenada e esforços para construção de estatísticas envolvendo atores do mundo todo.

Divulgado anualmente, o relatório dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é um acompanhamento do progresso regional e global rumo às metas. O documento é baseado em dados reunidos pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) do Secretariado das Nações Unidas com informações de um importante número de organizações internacionais e regionais.

O Brasil é brevemente citado no relatório. O documento lembra que os cinco maiores ecossistemas marinhos em risco de eutrofização — excesso de nutrientes na água causado pela poluição — estão no Golfo de Bengala, Mar da China Oriental, Golfo do México, costa norte do Brasil e Mar da China Meridional. Tais áreas fornecem ecossistemas para populações costeiras que totalizavam 781 milhões de pessoas em 2010.

Acesse aqui o relatório completo (em inglês).

 

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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