COP21 Paris 2015: 5 perguntas para entender a COP21 — a reunião do século

Por Vanessa Barbosa, da Exame.com

A saúde do “planeta azul” está em perigo e é preciso fazer algo a respeito. Reequilibrar o sistema climático, porém, não é tarefa fácil — exige que repensemos a forma como fazemos negócios, geramos a energia que alimenta as cidades e as indústrias, e todos os padrões abusivos de extração de recursos naturais. Curar a Terra de seus estado febril e impedir “impactos graves, generalizados e irreversíveis” é um desafio que conclama todas as nações à ação coletiva.

Para lutar contra o aquecimento global, de 30 de novembro a 11 de dezembro, Paris receberá a 21ª Conferência das Partes, COP 21. EXAME.com selecionou cinco perguntas para entender por que esta reunião do clima é tão importante para o destino do planeta e de todos os seus habitantes — incluindo nós, humanos.

 
1. O que é a COP21?

A COP21 é a 21º “Conferência das Partes”, ou simplesmente COP. É o principal órgão decisório da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), adotada em 1992, após a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, que ficou mundialmente conhecida como ECO-92.

Na ocasião, a Convenção-Quadro sobre o clima foi criada para entender e encontrar soluções para as alterações climáticas. Àquela altura (e ainda hoje), os cientistas estavam muito preocupados em relação às anomalias observadas nos dados de temperatura, que indicavam uma tendência de aquecimento global resultante das atividades humanas no meio ambiente, as chamadas razões antrópicas.

Neste contexto, quase todos os países do mundo reuniram-se anualmente desde 1995 para lutar juntos contra o aquecimento global. A edição francesa do evento, que começa nesta segunda (30) reunirá os chefes de Estado de mais de 190 signatários da UNFCCC, além de 2 mil ONGs, empresas e grupos científicos de várias partes do globo. No dia 11 de dezembro, às 18h (horário local, 15h de Brasília), a cúpula deve ser encerrada com a assinatura dos acordos.

cop 21 Participantes chegam para a Conferência do Clima em Paris, França, que reunirá mais de 190 países. Reuters

Participantes chegam para a Conferência do Clima em Paris, França, que reunirá mais de 190 países. Reuters

 

 2. Essas conferências sobre o clima são eficazes?

Sim e não…Os resultados diferem de um ano para o outro. Por exemplo, em dezembro de 1997, durante a terceira Conferência das Partes (COP 3), no Japão, surgiu o famoso Protocolo de Kyoto, resultado de um longo processo de debate e negociações entre dezenas de países. Com este acordo, os países industrializados se comprometeram, a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em média 5% com base nas emissões de 1990, entre os anos de 2008 e 2012, intervalo este conhecido como o primeiro período de compromisso.

O pacto internacional falhou em reduzir as emissões, mas ajudou na conscientização dos países e na implantação de projetos sociais, ambientais e econômicos de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Nos anos seguintes, nenhuma meta numérica concreta foi definida quando o protocolo foi prorrogado no final de 2012. Da mesma forma, em 2009, a esperada COP15, em Copenhague, não levou a novos compromissos quantitativos.
3. Qual é a meta para este ano da COP21, em Paris?

O objetivo da COP21 é simples: chegar a um amplo e ambicioso novo acordo mundial capaz de frear os efeitos das mudanças climáticas e garantir o futuro da humanidade. Segundo os cientistas, este novo acordo deverá limitar a 2 graus Celsius (°C ) o aquecimento global até 2100, em comparação aos tempos pré-industriais. Passado este ponto, as emissões de gases do efeito estufa entrarão em um círculo virtuoso cujos efeitos serão impossíveis de deter.

Ao contrário do acordo anterior de Kyoto, que tinha metas específicas para um grupo de menos de 40 países desenvolvidos, o Protocolo de Paris será um acordo global que envolverá mais de 190 países que fazem parte da Convenção do Clima da ONU. Espera-se que o novo pacto entre em vigor em 2020, em substituição ao Protocolo de Kyoto.

Pelas previsões do último IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o mais completo diagnóstico feito sobre o estado climático do planeta, se mantidos os atuais níveis de emissões, o aumento de temperatura na Terra poderá variar de 0,3 a 4,8 °C até 2100.

Oficias patrulham entrada da Conferência de Mudanças Climáticas da ONU em Le Bourget, Paris, França. Reuters

Oficias patrulham entrada da Conferência de Mudanças Climáticas da ONU em Le Bourget, Paris, França. Reuters

4. É um acordo possível?

Há pelo menos dois motivos fortes para se temer que o encontro em Paris falhe. O primeiro é que os países já passaram pela maratonas de negociações outras 20 vezes sem que tenha se atingido resultados realmente significativos para a redução de emissões.

O segundo são as “promessas vazias”. Um estudo divulgado recentemente mostra que os governos dos principais países industrializados fornecem, por ano, mais de US$ 450 bilhões para apoiar a produção de combustíveis fósseis. Isso é quase quatro vezes os subsídios mundiais para a expansão das energias renováveis, que totalizou US$ 121 bilhões em 2013, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).

Mas também há sinais de esperança. Os dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, China e Estados Unidos, nunca estiveram tão comprometidos com a luta contra a mudança climática como agora. Além disso, nunca a mobilização social tinha sido tão grande. Outro diferencial é o ambiente econômico mais receptivo. Muitos governos, incluindo o do Brasil, apostam no acordo do clima de Paris para ampliar os investimentos na economia de baixo carbono.

 
5. Qual é a proposta do Brasil para conter o aquecimento global?

Em setembro, a presidente Dilma Rousseff apresentou nas Nações Unidas a Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC) do Brasil, que foi reconhecida como uma das mais ambiciosa.

As promessas brasileiras contemplam mudanças importantes para áreas de uso da terra e florestas, agropecuária, energia e eficiência. Até 2025, o Brasil promete reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa. Para 2030, a ambição é chegar a uma redução de 43%.

O País também se propõe a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. No campo da energia, o Brasil assume como meta a expansão do uso de fontes renováveis (como energia eólica, fotovoltaica, biomassa e biocombustíveis) em sua matriz energética, dos atuais 28% para 33%, até 2030.

O Brasil também vai defender o aumento dos recursos destinados anualmente a ações para a mudança do clima. O montante global de US$ 100 bilhões entre recursos públicos, privados e de organismos internacionais previstos para até 2020 é considerado insuficiente para financiar as ações relacionadas à redução de gases de efeito estufa.

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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