COP 20: esperanças e desconfortos no segundo dia da conferência em Lima

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Sede da COP 20, Lima, Perú

 

Por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

LIMA, Perú – Na parte da manhã desta terça (02/12), o grupo de trabalho da Plataforma de Durban (ADP), que negocia o novo acordo climático global, se reuniu pela primeira vez aqui em Lima, numa sessão recheada com discursos esperançosos e alguns desconfortos tímidos.

O desconforto se dá por causa do esboço informal apresentado pelos co-chairs do grupo, Kishan Kymarsingh e Artur Runge-Metzger, preparado antes do encontro de Lima. Ainda que o texto tente juntar as visões de todos os negociadores, num esforço para acelerar um processo diplomático longo, alguns negociadores apontam que o sumário não é balanceado e não contempla as posições de alguns países – particularmente de nações em desenvolvimento.

Outra crítica se direciona para a abordagem bottom-up para mitigação e para diferenciação. De acordo com esses críticos, deixar que os próprios países decidam sozinhos o quão longe eles podem ir no corte de suas emissões é receita para um acordo ineficiente.

Mesmo assim, o texto abre espaço para uma nova etapa das negociações: ao invés de discursos, os negociadores precisarão trabalhar em cima do texto.

Outro ponto importante na agenda de hoje em Lima é a revisão da meta de limitar o aquecimento global em 2ºC até 2100. Este é um ponto delicadíssimo: ainda que os insumos científicos apontem para a necessidade de pensar em uma meta mais restrita, que oriente ações mais efetivas, a viabilidade prática do encurtamento da meta é bastante complexa.

Em paralelo, a sociedade civil internacional presente em Lima realizou sua primeira coletiva de imprensa na COP 20 também nessa manhã. Para as organizações, a Conferência de Lima teve uma abertura polida, mas sem posicionamentos mais fortes em torno dos objetivos estratégicos para o encontro.

Para Jan Kowalzig, da Oxfam International, essas duas semanas de negociações não serão simples. “Financiamento será uma questão-chave”, alertou Kowalzig. Mesmo com a meta de capitalizar o Fundo Climático Verde (GFC) em US$ 10 bilhões até o final de 2014 praticamente atingida, países em desenvolvimento e ONGs alertam para a necessidade de se desenhar um roadmap para garantir que os países desenvolvidos consigam cumprir o compromisso assumido na COP 15 de Copenhague, há cinco anos: destinar US$ 100 bilhões anuais para o fundo a partir de 2020.

Ian Keith, da AVAAZ, destacou as mudanças nas dinâmicas políticas fora das negociações da UNFCCC. “2014 foi um ano decisivo. Centenas de milhares de pessoas foram à ruas ao redor do mundo para pedir aos seus líderes que façam mais contra o desafio climático”, aponta Keith. Não apenas a sociedade, mas lideranças empresariais e econômicas também estão tomando a dianteira para pressionar os governos por mais ação.

Outro destaque da manhã dessa terça em Lima foi a apresentação dos resultados do Global Climate Risk Index 2013, organizado pela Germanwatch. De acordo com o estudo, as Filipinas, o Camboja e a Índia foram os países mais afetados por eventos climáticos extremos no ano passado.

“Todos nos lembramos das imagens do catastrófico tufão Haiyan, que destruiu regiões inteiras e tirou a vida de mais de 6 mil pessoas. Esta foi a tempestade tropical mais severa até hoje”, relembra Sönke Kreft, autor do estudo. “As mudanças climáticas precisam ser controladas, para que o futuro não nos traga catástrofes como esta”.

Com informações de RTCC.org e tcktcktck

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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