Revisão da literatura confirma que a sustentabilidade compensa

APC - 2014.11.17 19.05 - 001.3d

Por Regina Scharf, do Página 22

Uma revisão de mais de 190 estudos acadêmicos, relatórios setoriais, levantamentos feitos pela mídia e livros sobre a influência de práticas mais sustentáveis no desempenho das empresas concluiu que a literatura tende a confirmar uma forte correlação entre esses dois fatores. Este balanço, “From the Stockholder to the Stakeholder – How Sustainability can Drive Financial Outperformance” (Do Acionista à Parte Interessada – Como a Sustentabilidade pode levar a um Desempenho Financeiro Excelente), foi publicado há poucas semanas pela Smith School of Enterprise and the Environment, da universidade de Oxford, em parceria com a Arabesque, empresa de consultoria e gestão de ativos com foco em sustentabilidade baseada na Inglaterra. Ele foi coordenado por Gordon Clark, diretor da Smith School, Andreas Feiner, chefe da área de Aconselhamento e Pesquisa com Base nos Valores, da Arabesque, e Michael Viehs, pesquisador da Smith School.

As principais conclusões do relatório são as seguintes:

.    90% dos estudos sobre o custo do capital indicam que a adoção de padrões seguros de gestão da sustentabilidade reduzem esse ônus para as companhias;
   88% das pesquisas mostram uma sólida correlação entre as práticas voltadas para o meio ambiente, a sociedade e a governança com um melhor desempenho operacional por parte das empresas;
   80% dos estudos apontam que a evolução do preço das ações das empresas é influenciada positivamente por boas práticas na área de sustentabilidade;
.    Com base nos impactos econômicos, os investidores e administradores de empresas têm grande interesse em incorporar a visão da sustentabilidade aos processos de tomada de decisões;
   A participação ativa dos acionistas permite que os investidores influenciem o comportamento das empresas e se beneficiem das melhorias nas práticas de negócios sustentáveis.

As conclusões não são uma surpresa para quem acompanha o tema. Ao longo da última década, vários estudos ganharam destaque por demonstrar que os investimentos na gestão do meio ambiente, das questões sociais e da governança ampliam o valor empresarial. Dentre eles, merece menção um trabalho de 2011 da Harvard Business School que indicou que as empresas mais beneficiadas pela integração das políticas socioambientais a sua estratégia são aquelas que lidam diretamente com consumidores individuais, as que têm na sua marca e reputação um dos seus pilares fundamentais, e as que dependem de grandes volumes de recursos naturais. Outros exemplos nessa linha são os relatórios “Capturing the Green Advantage for Consumer Companies“, da consultoria The Boston Consulting Group, e “Green Winners“, da consultoria ATKearney, publicados em 2009, que demonstraram que as empresas focadas na sustentabilidade resistiram melhor à crise financeira global. No entanto, o esforço da Oxford University e da Arabesque ajuda a dar uma visão global do conhecimento já existente, ajudando a consolidá-lo, e por oferecer mais uma confirmação de que sustentabilidade é negócio.

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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