Série Especial “São Tomé e Príncipe”: alterações climáticas provocam inundações na comunidade de Malanza

Por Alexander Martins, Avelino dos Prazeres, Adelzira Nascimento e Wackson Chaúl*

 

CIDADE DE SÃO TOMÉ, São Tomé e Príncipe – Dois meses depois da catástrofe natural que atingiu a comunidade de Malanza, os moradores ainda não têm uma explicação sobre as causas do fenómeno.

No dia 18 de Julho, uma onda gigante atingiu as residências localizadas na zona litorânea da comunidade e causou e enormes prejuízos aos habitantes locais.

Malanza esta situada há 75 quilómetros ao sul da Cidade de São Tomé; tem uma população estimada em mais de 900 pessoas, a maioria jovens, onde as maiores fontes de sustento são a agricultura e a pesca.

Um grupo de jornalistas que participa de uma formação sobre jornalismo ambiental promvida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) deslocou-se ao local para ouvir a população.

Ao entrar no local percebe-se o logo o brutal impacto da situação de pobreza vivida pela população local. Segundo relato do senhor Virgílio, a inundação recente atingiu a sua casa quando ele estava dormindo. “Por volta das 4 horas da madrugada eu acordei e vi o meu quintal inundado; fiquei com medo e comecei a gritar, pois na minha casa vivem 12 pessoas”.

De acordo com o senhor Virgílio, autoridades da Câmara Distrital de Caué estiveram na comunidade e disseram que iriam providenciar a remoção das famílias atingidas pela inundação para uma outra área. “Só que ninguém mais voltou aqui. As nossas vidas continuam em risco”, disse ele.

Face a esta situação, os moradores de Malanza mostram-se revoltados com as autoridades nacionais, que segundo eles não fazem nada em prol do desenvolvimento da localidade. A comunidade dispõe de água tratada, mas as necessidades fisiológicas são feitas ao ar livre, o que coloca em risco a saúde da população local.

O jovem Vitalinho, de 14 anos, disse que parou de estudar na sétima classe porque os seus pais não têm mais recursos para mantê-lo na escola. Ele reclama da falta de energia eléctrica na comunidade e também por não ter nem uma televisão para se distrair. “Estamos jogados, e eles (os políticos) só vêm aqui na época de eleições para dar banho. No dia que o mar invadiu aqui eu acordei e comecei a correr. Os meus pais são pessoas da terceira idade e não conseguiam correr. Eu tive que deixá-los, pois não conseguia carregá-los”, frisou.

A nossa reportagem visitou ainda a localidade de Porto Alegre, que em vez de alegre parece triste. Nesta localidade, a erosão costeira e o descaso das autoridades são visiveis: o muro de proteção que protege a comunidade da fúria do oceano está sendo deteriorado pela maré há pelo menos nove anos, sem que nada seja feito para impedir a sua previsível destruição.

*Reportagem realizada por integrantes do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em associação ao projeto Sistema de Alerta Precoce do governo de São Tomé e Príncipe por meio do Ministério das Obras Públicas, Infraestruturas, Recursos Naturais e Meio Ambiente / Instituto Nacional de Meteorologia. (Setembro 2014)

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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