Série Especial “São Tomé e Príncipe”: Hospital Ayres de Menezes com dificuldades no tratamento de resíduos

Por Alexandre Santos, João Soares, Ody Mpouo e Wakson Chaúl*

 

CIDADE DE SÃO TOMÉ, São Tomé e Príncipe – A situação do tratamento do lixo hospitalar constitui hoje um gravíssimo perigo à saúde e ao ambiente de São Tomé e Príncipe, apurou esta quinta-feira, 18 de setembro, um grupo de jornalistas que se encontram numa formação promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O grupo dirigiu-se ao Hospital Ayres de Menezes, o maior centro hospitalar do país, e conversou com o Director José Luís de Ceita.

Segundo o diretor, existem dois tipos de resíduos hospitalares: lixos tóxicos e peças anatómicas (partes do corpo que são seccionadas para não contaminar outras áreas do corpo de um paciente).

Esses resíduos são selecionados e colocados nos diferentes contentores e transportados à lixeira instalada na localidade de Penha.

Ceita sublinhou ainda que esta prática de tratamento de resíduos não é a mais correta. “O lixo é queimado e enterrado, uma prática não conveniente porque polui o ambiente”, reconheceu.

Segundo o director do hospital, o único incinerador (equipamento usado para queimar os resíduos) encontra-se inoperante há mais de três anos, “facto que nos obriga a seguir tal prática de queimar os resíduos na lixeira”.

O Ayres de Menezes foi construído há cerca de 100 anos, com a capacidade de albergar um número reduzido de utentes. Com o crescimento demográfico e o desaparecimento de vários hospitais das antigas roças, a superlotação nos leitos disponíveis e o aumento da geração desse tipo de resíduo tornaram-se graves problemas administrativos para principal unidade médica de São Tomé e Príncipe.

Na referida visita, a reportagem constatou que ainda não estão reunidas todas as condições necessárias para lidar com o lixo hospitalar. Entre elas, destacamos a falta de formação profissional dos quadros e a inexistência de material essencial para manuseio dos resíduos, como luvas, contentores, máscaras, etc.

A reportagem verificou também que o transporte dos resíduos não é feito de forma adequada, uma vez que o hospital aluga camiões de caixa aberta para transportá-los, pondo em risco a saúde pública.

No contexto atual, em que a epidemia de Ébola está evidente em África, esta forma de transporte e tratamento poderá facilitar uma eventual disseminação do referido vírus, uma vez que a lixeira de Penha não executa medidas adequadas de segurança.

A solução está para breve segundo disse o diretor do Ayres de Menezes. Segundo ele, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostrou vontade de ajudar a solucionar o problema com a reabilitação da incineradora.

*Reportagem realizada por integrantes do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em associação ao projeto Sistema de Alerta Precoce do governo de São Tomé e Príncipe por meio do Ministério das Obras Públicas, Infraestruturas, Recursos Naturais e Meio Ambiente / Instituto Nacional de Meteorologia. (Setembro 2014)

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

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