Policy in Focus

APC - 2014.08.18 18.20 - 001.3d

Desenvolvimento sem Desmatamento

Agosto de 2014 – No. 29

Editorial

Os projetos de conservação ambiental do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil apresentam um forte componente de desenvolvimento local e inclusivo e contemplam iniciativas inovadoras de uso sustentável da biodiversidade. Vários são os exemplos de projetos nos manguezais, na Caatinga e no Cerrado, que conciliam a produção de bens e serviços com a geração de emprego, de renda e com o aumento da qualidade de vida.

É sempre um grande desafio garantir oportunidades às populações mais pobres e vulneráveis, respeitando os seus meios de vida e protegendo a natureza, em regiões de grande expansão da agricultura de produtos de exportação como a soja, a cana e a pecuária. Na Amazônia brasileira este desafio é ainda maior. Como propor alternativas de produção agrícola e florestal com baixo impacto ambiental, que se contraponham ao modelo dominante de “derrubada e queima”? Como implementar projetos de conservação da biodiversidade em áreas tradicionalmente ocupadas por populações indígenas nas quais interagem, de forma conflituosa e violenta, madeireiros, garimpeiros, agricultores familiares, assentados da reforma agrária, grandes pecuaristas e produtores de commodities agrícolas?

As cidades da região do Noroeste do Mato Grosso encabeçaram por muitos anos a lista de municípios com o maior número de assassinatos per capita e com a maior taxa de desmatamento do país. Foi nessa região que o PNUD e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado, financiados pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente – GEF, desenvolveram um projeto que conseguiu demonstrar a viabilidade de outros caminhos na Amazônia, que simultaneamente conservem e produzam bens e serviços. Este é o caso da produção de castanha do Brasil por populações indígenas, agricultores familiares e assentados, que vêm tirando renda da floresta em pé superior a obtida em áreas desmatadas.

Como sempre frisou Jorge Vivan, a quem dedicamos este número, a produção agroflorestal é outro exemplo gritante de modelos de produção com renda muito superior à da pecuária e a de outros usos do solo e que não recebe a devida atenção dos órgãos governamentais de financiamento, pesquisa e fomento. A falta de politicas publicas sólidas e coerentes, de crédito e de assistência técnica voltadas à produção sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros torna o desmatamento uma atividade que, por si só, aumenta grandemente o preço da terra em áreas de fronteiras, como pode ser visto em artigos neste número da Policy in Focus.

Nosso objetivo é estimular a discussão dessas questões e dos desafios que nos são colocados. Desejamos com isso entender melhor os obstáculos para um desenvolvimento que respeite a diversidade humana e a imensa diversidade biológica e de ecossistemas. A transformação e degradação do espaço amazônico é extremamente veloz e intensiva e requer das agências de cooperação técnica, dos bancos de desenvolvimento e dos fundos de financiamento ambientais investimentos coordenados e de longo prazo, no sentido de contrapor os vetores da degradação ambiental e socio-cultural da Amazônia.

Carlos Ferreira de Abreu Castro

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
Esse post foi publicado em Agricultura, Amazônia Legal, Biodiversidade, Comunidades, Consciência ambiental, Conservação, Desenvolvimento sustentável, desmatamento na Amazônia brasileira, Economia Verde-Green Economy, Estudos ambientais, Florestas, florestas degradadas no Brasil, Gestão sustentável, Jornalismo Ambiental, Pesquisa acadêmica, Pesquisas ambientais, Projetos ambientais, Publicações, Recursos naturais, Solidariedade, Sustentabilidade e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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