Sacolas plásticas: em ano de copa do mundo, vamos torcer também para o time do ‘repensar, recusar, reduzir…’

 

Água fresca e limpa, livre de resíduos. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2009 www.terragaia.wordpress.com

Água fresca e limpa, livre de resíduos. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2009 http://www.terragaia.wordpress.com

No próximo dia 5 de junho, o mundo celebra o Dia Internacional do Meio Ambiente. Em alusão à data, resolvemos fazer aqui em casa (uma família com cinco indivíduos: dois adultos, dois jovens e um cão) uma experiência para saber o quanto nós economizamos (ou educadamente recusamos…) na utilização de sacolas plásticas oferecidas em redes de supermercados, após seis anos de restrições conscientes ao uso desse material. Os resultados foram surpreendentes e altamente motivadores!

Por Antonio Carlos Teixeira, editor do blog TerraGaia

Desde 2008 nossa família utiliza sacolas retornáveis nas compras semanais. Desta vez, optamos pela não utilização para saber qual é o impacto que estamos deixando de provocar ao pôr em prática alguns dos cinco “Rs” (repensar, recusar, reduzir…). Normalmente nossas compras semanais ocupam seis sacolas retornáveis. Ao passar as compras no caixa, vimos a funcionária embaladora destinar 33 sacolas plásticas. Provavelmente a funcionária gastaria a metade caso optasse por não utilizar duas sacolas para acomodar um determinado grupo de produtos. Resolvemos não interferir na sua ação justamente para saber como a profissional atua durante o tempo que passa no auxílio aos clientes no acondicionamento das suas compras.

Das duas, uma: ou a funcionária (e tantas outras das várias redes de supermercados espalhadas pelo Brasil) não recebe nenhum tipo de orientação no sentido de usar de bom senso ao destinar um determinado número de sacolas plásticas para o transporte de produtos adquiridos pelos clientes, ou (o que pode ser ainda pior!) os profissionais que atuam no acondicionamento de produtos são encorajados pelas suas “chefias” a efetivamente “gastarem” sacolas plásticas na guarda (temporária) dos produtos comprados pelos clientes, prática que pode ser um reflexo de uma justificativa deturpada da expressão “é melhor sobrar do que faltar…”

Podemos ainda incluir no rol das possibilidades sentimentos como medo de ser questionado pelo cliente (ou pela “chefia”) o porquê de não usar duas (ou mais!) sacolas para acondicionar um grupo de produtos; ou atitudes como descaso, pelo fato de não se importar com o gasto desnecessário desse material e os impactos que pode provocar nos meios urbano e ambiental. No primeiro caso, poder-se-ia incluir ainda um certa dose de “altruísmo” do supermercado/funcionário ao destinar mais de uma sacola plástica no acondicionamento de um grupo de produtos, ação que “ajudaria a suportar com mais eficiência” o peso das compras, evitando, assim, riscos de cisão do material e de exposição acidental das compras do cliente. Uma ação desnecessária, claro, se houver por ambas as partes (supermercado e clientes) o estímulo ao uso de sacolas retornáveis, feitas de material muito mais resistente, reduzindo, assim, os riscos de expor as compras repentinamente.

33 sacolas plásticas utilizadas em experiência em compra semanal: redução do consumo de 10 mil unidades em seis anos. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2014 www.terragaia.wordpress.com

33 sacolas plásticas utilizadas em experiência em compra semanal: redução do consumo de 10 mil unidades em seis anos. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2014 http://www.terragaia.wordpress.com

Repensar, recusar, reduzir: 10 mil sacolas em seis anos!

Numa conta simples, e se levarmos em consideração o número de 33 sacolas que, em tese, seriam utilizadas a cada ida semanal ao supermercado, podemos dizer que, em seis anos, economizamos (ou repensamos, recusamos, reduzimos…):

. 132 sacolas por mês (quatro semanas)

. 1.584 por ano (48 semanas)

. 10.131 em seis anos, quatro meses e três semanas (312 semanas)

Isso mesmo: 10 mil sacolas plásticas não consumidas em quase seis anos e seis meses! Se fizermos uma projeção para o período de dez anos de não utilização (2007-2017), serão 15.840 sacolas recusadas!

Se dividirmos o número de sacolas plásticas pelo número de indivíduos residentes na nossa casa (cinco), teremos:

. 6.6 sacolas plásticas para cada indivíduo por semana

. 26.4 por mês

. 316.8 por ano

. 2.026,2 em seis anos, quatro meses e três semanas

Ou seja: mais de duas mil sacolas plásticas recusadas por cada indivíduo da nossa família, entre janeiro de 2007 e maio de 2014. Até janeiro de 2017 serão 3.168 sacolas não consumidas!

Repensar, recusar, reduzir: para fazer a diferença no jogo da sustentabilidade global

No Brasil, num universo de 5.570 municípios, poucas são as cidades que mantêm em atividade programas de redução do uso de sacolas plásticas. Infelizmente capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e tantas outras ainda não tiveram efetivamente programas e sequer projetos postos em prática pela população em parceria com o poder público e empresas e indústrias. Das poucas cidades que praticam a consciência socioambiental do uso moderado de sacolas plásticas, posso destacar o município de Xanxerê, no interior de Santa Catarina. Lá, o programa redução do uso de sacolas plásticas começou em 2009, a partir de uma ação que associou executivo municipal (prefeitura), lojistas e supermercadistas (empresariado) e xanxerenses (cidadãos).

O espaço urbano livre de resíduos sólidos: bom para todos nós. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2009 www.terragaia.wordpress.com

O espaço urbano live de resíduos sólidos: bom para todos nós. Foto: Antonio Carlos Teixeira 2009 http://www.terragaia.wordpress.com

No exterior várias ações têm sido implantadas para desencorajar o uso desse tipo de material, considerado o tipo de plástico mais poluente. Na União Europeia, o parlamento quer reduzir uso de sacolas plásticas em 50% até 2017 e 80% em 2019. Em média, o europeu usa cerca de 200 sacolas plásticas por ano. Em 2010, oito milhões de sacos plásticos foram descartados irregularmente, degradando e poluindo o meio ambiente europeu.

Alguns países do continente europeu têm tomado medidas bastante coercitivas para reduzir o uso de sacolas por seus cidadãos. A Irlanda criou a taxa de uso de saco plástico (Plax Tax) e conseguiu reduzir em 92% a sua utilização em apenas um ano; a Itália adotou medidas mais rígidas e proibiu completamente a distribuição de sacolas em supermercados. Ações semelhantes estão sendo feitas na Alemanha, Dinamarca e Suécia.

Na África, países como Ruanda, Tanzânia, Somália e África do Sul criaram leis proibindo a venda, fabricação, distribuição e uso desse material, banindo as sacolas plásticas das suas respectivas sociedades. Embora não tenham leis federais sobre o assunto, cidades de países como Estados Unidos (Washington, São Francisco e Oakland), China (Pequim e Xangai), Canadá (Toronto), Argentina (Buenos Aires) e Índia (Nova Déli) têm legislações próprias para reduzir o consumo de sacolas. Já países como Japão e Chile adotam medidas de conscientização socioambiental para incentivar seus cidadãos e não usar sacolas.

Em ano de Copa do Mundo, ainda não dá para afirmar que nós, sociedade global, estamos batendo um bolão em relação à práticas de consumo consciente. Mas eu acredito que já avançamos muito nesse quesito nos últimos vinte anos. E vamos continuar torcendo para que daqui a vinte anos estejamos em posição melhor para marcamos um golaço e fazer a diferença no jogo da sustentabilidade global.

Repensar, recusar, reduzir…

 

 

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Gestor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Manager for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
Esse post foi publicado em Comunicação, Consciência ambiental, Consumo, Descarte de resíduos, Desenvolvimento, Desenvolvimento sustentável, Educação ambiental, Empresas, Gestão sustentável, Impactos ambientais, Jornalismo Ambiental, Poluição, Responsabilidade social, Responsabilidade socioambiental, Sustentabilidade e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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