Instituto CarbonoBrasil, Editorial: COP 19 discute novo acordo climático global

Falta uma semana para o início da edição deste ano da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Trata-se da décima nona COP – sim, já há 19 anos se discute em alto nível internacional o aquecimento global -, que será realizada em Varsóvia, na Polônia.

A COP 19 tem como grande objetivo estabelecer as bases do novo acordo climático global, que precisa estar pronto em 2015 para que entre em vigor em 2020, substituindo o Protocolo de Quioto.

Com a aproximação da conferência, diversos relatórios estão sendo divulgados apresentando o cenário atual das emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

Um deles foi o “Tendências das emissões globais de CO2 2013”, produzido pela Agência de Análise Ambiental dos Países Baixos (PBL) e pelo Centro de Pesquisas Conjuntas da Comissão Europeia (JRC).

O documento constata que 34,5 bilhões de toneladas de GEEs foram emitidas em 2012, a maior quantidade já liberada pela humanidade.

No entanto, os pesquisadores destacam que houve uma significante desaceleração nas emissões, passando de um crescimento de 2,9% em média nos últimos dez anos para apenas 1,1% no ano passado.

Outras pesquisas também confirmam que existe uma aparente tendência de desaceleração nas emissões, apesar de ainda não ser na velocidade necessária para evitar um aquecimento global de menos de 2oC até o fim deste século.

A expansão das energias renováveis nos Estados Unidos (EUA), China e na União Europeia (UE) é um dos fatores que explicam essa diminuição no ritmo de liberação de GEEs.

Infelizmente, um país que parece seguir na contra-mão é o Brasil. Claro que nossa nação ainda está em uma posição privilegiada, já que emite muito menos do que qualquer outra grande economia mundial uma vez que sua matriz energética é dominada pela hidroeletricidade e não pelos combustíveis fósseis.

Mas não deixa de ser lamentável que as projeções indiquem aumento de nossas emissões. Por exemplo, entre 2011 e 2012, a intensidade de carbono por unidade do PIB aqui no Brasil subiu 2,1%, de acordo com dados da consultoria PwC. No mesmo período, a intensidade de carbono caiu 5,9% nos EUA, 1,4% na China e 1,1% na UE.

A escalada das emissões brasileiras deve se agravar com a prevista expansão do uso do carvão mineral e da exploração do pré-sal.

Segundo o Plano de Expansão Decenal de Energia, divulgado na semana passada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do R$ 1,125 trilhão previsto para o setor de energia nos próximos dez anos, 72% será destinado aos combustíveis fósseis, enquanto os biocombustíveis, que recebiam 7% do total no plano anterior, receberão menos de 5%. E as renováveis – PCHs, eólica e biomassa – contarão com apenas 3%.

Na mesma semana em que foi apresentado esse plano aqui no Brasil, a Índia comemorava a marca de 2GW em capacidade fotovoltaica instalada e a China anunciava a meta de 35GW em energia solar até 2015. Para se comparar, a hidroelétrica de Belo Monte deve gerar em média 4GW.

Nos parece absurdo que um país como o Brasil, que tem um dos melhores potenciais solares e eólicos do planeta, ainda não veja com seriedade essas fontes. A situação da eólica é um pouco melhor, com 3,3GW em capacidade instalada. Mas a solar ainda está com apenas 8MW.

Além disso, nosso país é um gigante agrícola que produz milhões de toneladas de resíduos de biomassa todas as semanas, material que já temos a tecnologia para utilizar para a geração de energia. Essa fonte é uma escolha óbvia para investimentos públicos.

Levar em conta toda a abundância de nossas fontes alternativas é essencial para que o Brasil continue a ser um exemplo de grande economia com baixas emissões.

 
Equipe Instituto CarbonoBrasil

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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