Mudanças climáticas 2013: as bases físicas cientíticas

Da Equipe do Instituto CarbonoBrasil

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apresentou o relatório “Mudanças Climáticas 2013 – As bases físicas científicas” nesta semana. São literalmente mil páginas com informações, observações e análises que detalham como o planeta está aquecendo por nossa culpa.

Ao abrir o documento, já fica clara sua seriedade e credibilidade: são milhares de citações e cruzamento de referências para justificar todas as informações.

É um trabalho de enorme magnitude que deveria ser encarado como a prova definitiva de que as atividades humanas estão sim influenciando o clima e que devemos realizar ações de adaptação e mitigação para que os impactos na nossa sociedade e nos ecossistemas sejam os menores possíveis.

No entanto, apesar de trazer informações que já afetam a vida de todos nós, o documento parece não ter sido o suficiente para desencadear um novo debate na sociedade sobre os perigos de continuarmos a ter os mesmos hábitos de consumo e de vida.

A impressão que se tem é que a maioria das pessoas acha que é tudo uma grande especulação científica, que, mesmo que seja real, só será percebida no fim do século. Infelizmente não é assim.

Já vemos o sofrimento causado pelo aquecimento global naqueles que são mais vulneráveis. Uma das consequências das mudanças climáticas é o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos, como secas e tempestades. Assim, tanto os pobres do nordeste, afetados pela falta cada vez pior de água, ou os do sul, que moram em morros sujeitos a deslizamentos, podem ser considerados vítimas climáticas.

Lidar com as mudanças climáticas é, portanto, lidar com problemas que já teríamos que enfrentar de qualquer forma.

Se a sociedade percebesse isso, provavelmente haveria mais pressão para o avanço das negociações climáticas e países como o Brasil poderiam contar com novos recursos para minimizar seus problemas.

Por exemplo, uma das propostas sugeridas pelo mega investidor George Soros para capitalizar o Fundo Climático Verde – mecanismo que promete disponibilizar US$ 100 bilhões anualmente para lidar com os impactos do aquecimento global – seria taxar em uma porcentagem mínima, digamos 0,1%, as transações internacionais acima de US$ 10 milhões. Dessa forma, os muito ricos pagariam para a melhoria de vida dos muito pobres.

O dinheiro arrecadado financiaria a construção de barragens, a distribuição de alimentos e remédios, a transferência de tecnologias agrícolas, os custos de reconstrução após eventos climáticos extremos etc.

Como ser contra algo assim, que tira pouquíssimo de cada um dos multimilionários e repassa para aqueles que precisam?

É claro que, para os 1% mais ricos do planeta, isso não é interessante, e são eles que ganham enquanto a sociedade perde seu tempo discutindo se as mudanças climáticas são reais ou não.

Assim, da próxima vez que alguém falar perto de você que não existem provas do aquecimento global, apenas passe o link do novo relatório do IPCC. Mil páginas de provas.

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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