Floresta boa é floresta em pé!

Criança Rikbaktsa com amêndoas de castanha do Brasil. Foto: Laércio Miranda

Criança Rikbaktsa com amêndoas de castanha do Brasil. Foto: Laércio Miranda

Projeto do PNUD no Brasil com parceiros locais no noroeste do estado do Mato Grosso comprova que benefícios gerados pela conservação da flora contribuem para a sustentabilidade e o desenvolvimento de comunidades tradicionais e indígenas e fomenta a economia local

Por Antonio Carlos Teixeira

O Noroeste do estado de Mato Grosso (MT), região centro oeste do Brasil, é uma área de extrema importância para a conservação da biodiversidade. Integrante da Floresta Amazônica, é uma das regiões atingidas pelo chamado arco do desmatamento. Com extensão de 105.197,03 Km2 (12% da área do estado), é ocupada por uma população de 150 mil habitantes, distribuída entre os municípios de Juína, Castanheira, Juruena, Cotriguaçu, Colniza, Aripuanã e Rondolândia. Área de maior percentual de remanescentes florestais do estado (mais de 80% da cobertura vegetal de Mato Grosso), tem na pecuária e na exploração madeireira suas principais atividades econômicas. É uma região de grande riqueza e diversidade biológica e área de transição entre os biomas da Amazônia e o cerrado. Suas sete unidades de conservação e 12 terras indígenas somam 44.052 km2 (41,87% da área). Ali habitam seis sociedades indígenas pertencentes a importantes grupos lingüístico-culturais: Aruak (Enawene-Nawe), Macro-Jê (Rikbaktsa), Tupi (Arara) e Tupi-Mondé (Cinta-Larga, Suruí e Zoró); e mais quatro grupos de índios isolados. Além desses povos, existem na região duas comunidades de seringueiros localizadas na Reserva Extrativista Estadual Guariba-Roosevelt, área de 138 mil hectares. A região também é ocupada por 15 assentamentos de reforma agrária (PAs), totalizando cerca de 4,5 mil famílias, ou mais de 22 mil pessoas.

Área foco do Projeto - noroeste do estado do Mato Grosso, Região Centro Oeste do Brasil. Foto: Laércio Miranda

Área foco do Projeto – noroeste do estado do Mato Grosso, Região Centro Oeste do Brasil

A sua rede hidrográfica é uma das mais ricas do estado, formada por rios de águas claras e barrentas, como Juruena, Aripuanã, Guariba, Roosevelt e Branco, todos formadores das bacias dos rios Madeira e Tapajós, importantes contribuintes da Bacia Amazônica.

Há mais de dez anos, uma iniciativa em benefício do equilíbrio das relações entre Homem e meio ambiente começou a transformar a vida dos habitantes da região. Em 2000 foi iniciado o projeto “Promoção de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste de Mato Grosso”, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Global Environment Facility (GEF) e a então Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEMA), atual Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA).

Mapa da região noroeste mato-grossense e os municípios integrantes do projeto

Mapa da região noroeste mato-grossense e os municípios integrantes do projeto

Com orçamento de US$ 6,7 milhões, o foco do GEF Noroeste MT (como o projeto é conhecido na região) era claro: conservar a biodiversidade da última fronteira florestal de Mato Grosso integrante do maciço da Floresta Amazônica, por meio de ações como manejo florestal, implantação de sistemas agroflorestais e zoneamento ecológico-econômico (ZEE). A meta era reduzir as pressões sobre os ecossistemas naturais e fortalecer a capacidade local para combater o desmatamento e as queimadas. Ou seja: o objetivo era manter a exuberante floresta em pé, mas utilizando suas riquezas em benefício do desenvolvimento sustentável das comunidades locais. O GEF Noroeste encerrou em 2010, mas deixou um legado de experiências e atividades que permanecem na região.

SAFs: consciência ambiental e preservação

O engenheiro agrônomo Paulo César Nunes, ex-coordenador regional do GEF Noroeste, avalia que o projeto foi importante por desenvolver diversas atividades que se transformaram em políticas públicas de conservação e uso sustentável da biodiversidade. “Simultaneamente deixou o legado de um capital social fantástico em uma região de fronteira agrícola onde estavam os dois municípios mais violentos do Brasil, onde a falta de infra-estrutura de serviços básicos deixavam a população sem assistência”, ressalta.

Paulo César Nunes (camisa branca) e os Sistemas Agroflorestais (SAFs): manejo que reúne culturas agrícolas e florestais, unindo técnicas ancestrais de povos tradicionais e conhecimento científico de pesquisadores. Foto: Laércio Miranda

Paulo César Nunes (camisa branca) e os Sistemas Agroflorestais (SAFs): manejo que reúne culturas agrícolas e florestais, unindo técnicas ancestrais de povos tradicionais e conhecimento científico de pesquisadores. Foto: Laércio Miranda

Uma das grandes ações deixadas pelo GEF Noroeste foi a implementação de sistemas agroflorestais (SAFs). Esse tipo de manejo se baseia na reunião de culturas agrícolas e florestais, utilizando a dinâmica de sucessão de espécies da flora nativa pelas que agregam benefícios tanto para o terreno quanto para o agricultor. Além de recuperar antigas técnicas de povos tradicionais do planeta, os SAFs valorizam o conhecimento científico sobre a ecofisiologia das espécies vegetais, sua interação com a fauna nativa, colonização de áreas novas ou deterioradas e permite colheitas sucessivas de produtos diferentes ao longo do tempo.

Segundo Nunes, o GEF Noroeste implementou 1400 hectares de SAFs entre 2001 e 2010. A resposta dos agricultores locais aos SAFs foi tão positiva que muitos desejam a continuidade do projeto. Um desses agricultores é Rubi Krindges.

Rubi (como é conhecido), 57 anos, está na região desde 1985, vindo da região sul do Brasil. Ele mora em Juína (39.260 habitantes, a 760 km de distância de Cuiabá, capital do estado) e faz parte da terceira geração de brasileiros da família Krindges, iniciada pelo bisavô, que veio de Munique (Alemanha) para o Brasil. Casado e pai de três filhos, Rubi tem uma propriedade de 12 hectares e usa a metade para produção agrossilvopastoril. Graças ao SAF, ele é conhecido em toda a região e até já recebeu prêmios pela excelente produção de guaraná e café. Ele também produz mel e castanhas e está muito satisfeito com os resultados do SAF. “Tenho uma boa produção e a demanda hoje é muito grande. O SAF é um projeto extradordinário que proporcionou o aumento da minha renda”, conta ele, muito feliz, ao enfatizar que o investimento no SAF lhe proporcionou a construção de uma casa e a compra de bens como carro, moto e um trator novo para incrementar a produção.

Rubi destaca ainda que o GEF Noroeste trouxe benefícios para Juína. “Houve um aumento da consciência ambiental e do respeito às áreas de preservação permanente (APPs) da região. Vemos os resultados do projeto em todos os municípios do Noroeste de Mato Grosso. As pessoas se tornaram mais conscientes. Não se desmata mais aqui”, afirma.

Assim como o pai (Arlindo Krindges, já falecido), Rubi se considera um ambientalista e um grande defensor da natureza e da floresta em pé. “Ampliar a consciência ambiental é bom para o povo e o meio ambiente”, concorda. Mesmo satisfeito com os resultados, ele torce para que o projeto tenha continuidade. “Uma pequena semente plantada pode gerar grandes frutos, mas precisa de tempo para crescer”, filosofa.

O agricultor e ambientalista Rubi Krindges (de chapéu preto e camisa branca), de Juína, destaca os benefícios trazidos pelo GEF Noroeste à região e elogia o SAF: "Houve um aumento da consciência ambiental. Não se desmata mais aqui". Foto: Laércio Miranda

O agricultor e ambientalista Rubi Krindges (de chapéu preto e camisa branca), de Juína, destaca os benefícios trazidos pelo GEF Noroeste à região e elogia o SAF: “Houve um aumento da consciência ambiental. Não se desmata mais aqui”. Foto: Laércio Miranda

Além dos SAF’s, o GEF Noroeste incentivou outras alternativas de manejo de produtos florestais não madeireiros e sustentáveis em 13 dos 15 “PAs” existentes na região. Os PAs (Projetos de Assentamentos da Reforma Agrária) foram criados pelo governo brasileiro para oferecer terras para agricultores familiares. Localizados próximos a unidades de conservação (UCs) e a terras indígenas (TIs), Paulo César Nunes diz que os PA’s ajudaram a criar um “buffer” (zonas de amortecimento) no entorno dessas áreas protegidas.

O GEF forneceu assistência técnica para 720 agricultores familiares dos PAs e incentivou a elaboração de programas voltados para a recuperação de áreas por meio de SAFs ou de reflorestamento, os chamados Pronafs Florestais. “Três mil pessoas foram beneficiadas”, assegura Nunes.

Atualmente exercendo a coordenação do projeto Poço de Carbono Juruena, Nunes diz ainda que outros 660 hectares de SAFs foram implementados entre 2010 e 2011 em Juruena, município de 11.269 habitantes, localizado a 930 Km de Cuiabá. Segundo ele, o Poço de Carbono nasceu da idéia de oferecer atividades de continuidade e complementares às organizações e agentes que participaram do GEF Noroeste. “Além disso, queríamos testar uma estratégia de Pagamento por Serviços Ambientais para um grupo de stakeholders que nunca havia sido valorizado”, ressalta. O projeto começou em janeiro de 2010 e tem como objetivos promover a organização social das comunidades, sensibilizar agricultores, professores e crianças para a educação ambiental, recuperar áreas degradadas com a implantação de SAFs e apoiar a comercialização de produtos florestais e agroflorestais. Em dois anos de atuação, o projeto envolveu 150 agricultores e evitou o desmatamento de 7 mil hectares por meio do manejo sustentável de produtos florestais não madeireiros.

Numa expectativa de longo prazo (21 anos), o projeto prevê o seqüestro de 80.579 toneladas de carbono (295.725 toneladas de CO2). Com isso, espera-se evitar emissões na atmosfera pelo não desmatamento de novas áreas da ordem de 422.625 toneladas de carbono (1.551.033 toneladas de CO2). O projeto é patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental e é executado pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Aderjur), o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juruena. Tem como parceiros, o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer, PNUD Brasil, SEMA MT, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), entre outros.

Oficina de capacitação do Poço de Carbono Juruena: objetivo do projeto é evitar a emissão de mais de 1,5 bilhão de toneladas de CO2. Foto: Laércio Miranda

Oficina de capacitação do Poço de Carbono Juruena: objetivo do projeto é evitar a emissão de mais de 1,5 bilhão de toneladas de CO2. Foto: Laércio Miranda

O pesquisador e conservacionista Jorge Vivan defende a ideia de que a Amazônia é viável pelo o que é, ou seja, “um incrivelmente eficiente, rico e produtivo ecossistema florestal, com impactos globais”. Neste sentido, ele diz que a sensação de participar de projetos como o GEF Noroeste e o Poço de Carbono Juruena é mesma que teria caso tivesse participado da viagem a bordo do navio “Beagle” na expedição do naturalista britânico Charles Darwin ao redor do mundo no século XVIII. “É muito inspirador ter a oportunidade de interagir com a realidade, e com a incrível transformação econômica e ecológica conduzida por agricultores inovadores, verdadeiros pesquisadores informais”.

PIC-Pacto das Águas: manejo sustentável e organização comunitária

Outra esfera de atuação do GEF Noroeste foi a realização do Programa Integrado da Castanha (PIC). Criado em 2003, o PIC é fruto do chamado Pacto das Águas, a primeira articulação na região entre associações dos povos indígenas Zoró, Rikbaktsa e Arara; a associação dos seringueiros dos rios Guariba e Roosevelt; as associações dos agricultores dos Assentamentos Vale do Amanhecer e Juruena; o sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã (STR Aripuanã), e as equipes técnicas institucionais do PNUD, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), SEMA MT, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e das empresas Michelin do Brasil e Ouro Verde da Amazônia.

Ao propor um novo modelo de desenvolvimento econômico para a floresta, o objetivo do PIC foi o de apoiar processos de organização social, capacitação e estruturação de sistemas de coleta, seleção, armazenamento e comercialização de produtos florestais não madeireiros, como a castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa). Uma das áreas de atuação do PIC foi a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt (RESEX), localizada entre as cidades de Aripuanã e Colniza, situada entre a margem esquerda do rio Guariba e a margem direita do rio Roosevelt, onde vivem 47 famílias e 300 pessoas. Além da castanha, as “colocações” (pontos) extrativistas estão situadas em áreas onde há maior disponibilidade de seringueiras nativas (Hevea brasiliensis) e copaíba (Copaifera sp).

Convidado pelo PNUD para coordenar a gestão ambiental do PIC em terras indígenas, Plácido Costa diz que o projeto permitu que os seringueiros continuassem a viver como extrativistas, em vez de trabalharem em fazendas e madeireiras. “Numa região onde a floresta muitas vezes é vista como um obstáculo e o modelo predominante é a pastagem, a construção de alternativas de geração de renda a partir da valorização da floresta em pé associada a processos de gestão ambiental das terras indígenas e da RESEX é estratégica”, analisa.

Índios Rikbaktsa fazem a secagem da castanha do Brasil: ao propor um novo modelo de desenvolvimento econômico para a floresta, o Programa Integrado da Castanha (PIC) apoia processos de organização social, capacitação e estruturação de sistemas de coleta, seleção, armazenamento e comercialização de produtos florestais não madeireiros. Foto: Laércio Miranda

Índios Rikbaktsa fazem a secagem da castanha do Brasil: ao propor um novo modelo de desenvolvimento econômico para a floresta, o Programa Integrado da Castanha (PIC) apoia processos de organização social, capacitação e estruturação de sistemas de coleta, seleção, armazenamento e comercialização de produtos florestais não madeireiros. Foto: Laércio Miranda

A bióloga Fátima Sonoda diz que o impacto do PIC foi significativo. “O PIC propiciou um avanço na organização comunitária da região, a capacitação para adoção das melhores práticas de manejo da castanha, melhorando sua qualidade, preço, inserção e ampliação de mercado, e contribuiu ainda na elaboração da política estadual dos produtos da sociobiodiversidade”, diz ela, analista ambiental da SEMA MT, que por oito anos ocupou a Coordenadoria de Unidades de Conservação do órgão.

Entre os benefícios adquiridos pelas comunidades da região, Costa lista o retorno de muitos jovens para o trabalho com a castanha e a seringa; as ações de manejo dos castanhais e seringais nativos inseridas numa estratégia de gestão ambiental em terras indígenas e na RESEX; e a produção anual de 220 toneladas de castanha do Brasil e 30 toneladas de látex, gerando renda para os produtores de, respectivamente, R$ 700.000,00 e R$ 120.000,00 reais, beneficiando 2.400 pessoas localizadas em 60 aldeias indígenas e 40 “colocações” de seringueiros.

Seringueiro extrai látex na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt (RESEX): produção anual de 30 mil toneladas gera renda de R$ 120 mil, beneficiando 47 famílias. Foto: Laércio Miranda

Seringueiro extrai látex na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt (RESEX): produção anual de 30 mil toneladas gera renda de R$ 120 mil, beneficiando 47 famílias. Foto: Laércio Miranda

Um dos povos indígenas participantes do PIC, os Zoró (ou Pangyjej) estão entre os habitantes mais antigos das regiões noroeste do Mato Grosso e sul de Rondônia. Em 2003, eles começaram a participar do PIC, fortalecendo a cadeia produtiva de produtos florestais não madeireiros junto aos povos indígenas e tradicionais. Ligia Neiva, Assessora da Associação do Povo Indígena Zoró (APIZ), diz que o PIC foi um projeto audacioso que acreditou e investiu na força do querer das pessoas, contribuindo para a união dos povos da floresta. “Nunca na história deste país indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores sentaram à mesma mesa para discutir e planejar o mercado extrativista da cadeia de produtos da sociobiodiversidade”, ressalta.

Segundo Ligia, o PIC possibilitou a volta de alianças entre grupos étnicos Tupi Mondé, a manutenção das pessoas em suas terras, a solidificação das famílias nos trabalhos coletivos, ganhos financeiros e o resgate da educação tradicional indígena, transmitida dos mais experientes para os mais jovens. “Outro impacto importante foi o basta que as lideranças tradicionais deram aos madeireiros que invadiam suas terras para a exploração ilegal de madeiras. O extrativismo e os preços justos ajudaram a manter a economia solidária entre os povos da floresta, pois eles perceberam que acima dos ganhos financeiros há o valor social, incentivando-os à gestão e ao monitoramento de seus territórios de forma sustentável”, avalia.

Sávio Gomes Rego, técnico do Pacto das Águas, também trabalha com o povo Zoró, mas já esteve próximo do povo Rikbaktsa e dos serigueiros. Sávio, como é conhecido, diz que as atividades do PIC fizeram com que ribeirinhos, indígenas e extrativistas passassem a sonhar novamente com a valorização de seus trabalhos. “O PIC proporcionou às comunidades uma nova maneira de enxergar a floresta e de se trabalhar com ela, dando ênfase à castanha-do-brasil, um dos principais produtos extrativistas da região noroeste”, avalia.

Atualmente, a segunda fase do Pacto das Águas é coordenada por Plácido Costa e patrocinada pelo Programa Petrobras Ambiental. O projeto é executado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã e tem como parceiros Michelin do Brasil, Ouro Verde Amazônia, COOPAVAM, Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua (COOCARAM), Associação dos Moradores Agroextrativistas do Rio Guariba (AMARG), Associação dos Moradores Agroextrativistas do Rio Roosevelt (AMARR), APIZ, Associação do povo indígena Rikbaktsa (ASIRIK), FUNAI e CONAB. Além da castanha-do-brasil, o novo Pacto das Águas trabalha agora com a extração da borracha natural.

Índios Zoró se preparam para comercializar sacos de castanha do Brasil: "O PIC proporcionou às comunidades uma nova maneira de enxergar a floresta e de se trabalhar com ela", analisa Sávio Gomes Rego, técnico do Pacto das Águas. Foto: Amauri Tipiabi Zoró

Índios Zoró se preparam para comercializar sacos de castanha do Brasil: “O PIC proporcionou às comunidades uma nova maneira de enxergar a floresta e de se trabalhar com ela”, analisa Sávio Gomes Rego, técnico do Pacto das Águas. Foto: Amauri Tipiabi Zoró

GEF Noroeste: uma bem sucedida ação para a sustentabilidade

Para Carlos Castro, responsável pelo GEF Noroeste no PNUD Brasil, o projeto, nos seus dez anos de atividades, demonstrou ser uma bem sucedida ação para a sustentabilidade econômica e social da região, com investimento em produtos florestais não madeireiros. “Essa foi a lógica do projeto: uma alternativa viável ao desmatamento”, avalia.

Já Ligia Neiva diz que o projeto foi “excelente”, pois consolidou uma base para o mercado da castanha na região, eliminou atravessadores, garantiu preço, produção e mercado para os produtos. “Foi a única experiência bem sucedida de desenvolvimento sustentável, pois houve diálogo, respeitou todas as fases dos processos, iniciou-se dentro das comunidades e não inventou atividades para os indígenas: simplesmente valorizou, organizou e incrementou o que eles sabiam fazer”.

Para Fátima Sonoda, o GEF Noroeste foi “importantíssimo” não apenas para o Mato Grosso, mas para todo o Brasil. “Foi um projeto inovador, com visão estratégica para salvaguardar parte da Floresta Amazônica que é a última reserva florestal de Mato Grosso, além de ampliar a participação e a capacitação da sociedade para a estruturação e fortalecimento social e da cadeia produtiva, a preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais”.

Fátima Sonoda (camisa vermelha) e seringueiros da RESEX: "GEF Noroeste foi um projeto inovador que salvaguardou a última reserva florestal amazônica de Mato Grosso e ampliou a participação e a capacitação da sociedade local na cadeia produtiva, na preservação ambiental e no uso sustentável dos recursos naturais". Foto: Laércio Miranda

Fátima Sonoda (camisa vermelha) e seringueiros da RESEX: “O GEF Noroeste foi um projeto inovador que salvaguardou a última reserva florestal amazônica de Mato Grosso e ampliou a participação e a capacitação da sociedade local na cadeia produtiva, na preservação ambiental e no uso sustentável dos recursos naturais”. Foto: Laércio Miranda

Paulo César Nunes tem opinião semelhante. “O GEF Noroeste ampliou em cinco vezes o tamanho das áreas protegidas, atingindo mais de 5 mil km2 de unidades de conservação e terras indígenas; implantou 1.400 hectares de SAFs; apoiou o extrativismo de produtos florestais não madeireiros para diversas comunidades em terras indígenas e PAs; e o manejo florestal de baixo impacto para empresas com selo verde.”

A julgar pelas opiniões, benefícios e resultados, o GEF Noroeste mais do que justifica a expressão que, Oxalá, seja a máxima entre todos os setores da sociedade brasileira: “Floresta boa é floresta em pé!”.

Antonio Carlos Teixeira

Editor do blog TerraGaia – comunicação, ambiente, sustentabilidade

Agradecimentos: a André Alves, Carlos Castro, Sávio Gomes Rego, Fátima Sonoda, Ione Santos do Nascimento, Jorge Vivan, Laércio Miranda, Ligia Neiva, Paulo César Nunes, Plácido Costa e Rubi Krindges pelo apoio na realização desta reportagem.

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See the English version of this story published on the website of United Nations/Rio+20

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
Esse post foi publicado em Agricultura, Amazônia Legal, Biodiversidade, Capacitação, Carbono, Comunidades, Consciência ambiental, Conservação, Desenvolvimento sustentável, Florestas, Potencial econômico, Programas ambientais, Projetos ambientais, Recursos naturais, Solidariedade, Sustentabilidade, Tecnologia ambiental e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Floresta boa é floresta em pé!

  1. Pingback: Projeto Pacto das Águas 2013 | Comunicação Ambiente Sustentabilidade

  2. Marcos Menezes disse:

    Estou contente,pois sou ambientalista e cidadão sustentavel.Conheço a Amazônia,pois trabalhei em um projeto,e algumas vezes estive à serviço. O maior encanto do mundo é a floresta,e podemos ter grandes projetos,sem afetar o meio ambiental,não dando impacto neste,desde que a extração seja correta e tratando o residual gasoso,liquido e sólido.Fazendo tem que desfazer e não dar a devida atenção. É porisso que estamos nesta situação. O centro-oeste, norte e nordeste dará muita alegria ao Brasil. A reportagem foi linda. Agradeço. Cordialmente Marcos Menezes(chemetec@hotmail.com)

    • Grato pelas palavras, Marcos. O projeto GEF Noroeste foi sensacional e deixou excelentes frutos na região. Tive muito prazer em fazer essa reportagem e constatar que é perfeitamente possível conviver em harmonia com a floresta, sua flora a fauna, e ainda desenvolver e sustentar a região e seus moradores. Abraços

  3. Convido o jornalista Antônio Carlos Teixeira para uma visita ao baixo sul da bahia, especialmente aqui na torre da Embratel, Km 386 da BR-101, entre as cidades de Itabuna e Gandu, podendo visualizar o PDCIS-Programa de desenvolvimento e crescimento Integrado com sustentabilidade do baixo sul da bahia.

  4. Pingback: Forest good is standing forest! | Comunicação Ambiente Sustentabilidade

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