Sustentabilidade e educação ambiental: práticas para o exercício da cidadania planetária

Representação da YggDrasil, a árvore da vida na mitologia nórdica

Por Antonio Carlos Teixeira

 

A palavra “sustentável” pode expressar algo “capaz de se manter mais ou menos constante, ou estável, por um longo período.” Já “sustentabilidade”, numa definição primária, pode ser entendida como uma  qualidade de “sustentável”. No começo da década de 1980, Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute e atual presidente do Earth Policy Institute, apresentou um novo conceito sobre a palavra, a partir da visão de que uma comunidade sustentável seria aquela capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.

Sabemos ainda que a expressão “desenvolvimento sustentável” está sujeita a várias interpretações e que pensamentos e correntes das áreas ambiental e econômica acreditam que as palavras “desenvolvimento” e “sustentável” seriam incompatíveis na tentativa de transmitir uma idéia conjunta por serem, teoricamente, contraditórias em relação a evolução humana e preservação/conservação do meio ambiente.

O debate em torno do “desenvolvimento sustentável” também se mostrou uma questão política entre nações ricas e pobres, desenvolvidas e subdesenvolvidas, do norte e do sul do Planeta.

Podemos entender “sustentabilidade” como a busca pelo equilíbrio entre as ações decorrentes da evolução humana e o uso do meio ambiente e dos recursos naturais pela espécie.

Quando nos remetemos à questão ambiental, entendemos as palavras “sustentável” e “sustentabilidade” e a expressão “desenvolvimento sustentável” como formas de expressarmos nossas convicções e preocupações a respeito da relação que temos hoje com os recursos naturais e o que resultará dessa relação para as novas gerações.

Pensar em desenvolvimento sustentável ou em sustentabilidade pressupõe ações práticas e teóricas de educação ambiental. Uma política de desenvolvimento tecnológico, social e econômico deve ser precedida pela educação ambiental. Ou seja, para alcançarmos o equilíbrio entre a desejada e inevitável evolução do Homem e a conservação e/ou preservação dos recursos naturais precisamos acreditar e investir em educação ambiental.

“Educar ambientalmente” passa pela sensibilização a respeito da importância de ações ligadas à preservação e conservação do meio ambiente e do correto uso dos recursos naturais, que, sem dúvida, refletem no nosso bem-estar e ainda nos fazem desejar o mesmo estado de satisfação física, mental e moral para os nossos descendentes. Água, florestas, lixo e reciclagem e compostagem serão os assuntos que nos concentraremos a seguir, como forma de ampliar o esclarecimento e contribuir para a educação ambiental.

Educação ambiental, conservação e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais devem estar na agenda não apenas de ecologistas e ambientalistas, mas de jornalistas, pedagogos, educadores, economistas, advogados, administradores, parlamentares, engenheiros, médicos, seguradores, resseguradores, segurados, empresários, civis, militares, estudantes, adultos, crianças, governos, enfim, de todos os setores da sociedade.

Nossa geração tem a responsabilidade de levar adiante o legado deixado por aqueles que concentraram suas forças e energias em benefício da saúde ambiental do Planeta, ampliar suas ações e evoluir suas idéias.

Ações práticas e teóricas de educação ambiental devem estar no nosso dia-a-dia em casa, no trabalho, nas ruas da cidade e na escola. E podemos aumentar nossa consciência cidadã se mudarmos o foco de como enxergamos a natureza: não podemos agir como se o meio ambiente fosse uma parte integrante da agricultura, da economia ou da engenharia por exemplo; ao contrário, a agricultura, a economia e a engenharia é que têm que ser pensadas como partes integrantes do meio ambiente

Não podemos mais fazer “vista grossa” para as questões ambientais, como se elas fossem coisas de outro mundo ou que não nos afetam. Sim, elas estão tão presentes, que fazem parte diariamente das nossas vidas.

Falar e pensar meio ambiente é entender que tanto a manutenção e a limpeza do aparelho de ar-condicionado de casa ou do local de trabalho quanto a conservação de uma bacia hidrográfica são ações muito importantes para o bem-estar, sejam de um indivíduo, de uma família, de um grupo de funcionários de uma empresa, de uma população.

Agir em benefício da manutenção das condições de vida na Terra é perceber a água doce como um recurso vital, finito e entender porque é necessário defender a sua correta utilização e democratizar o seu acesso.

Sentir-se um cidadão ambiental é direcionar ações, idéias e pensamentos ao encontro dos objetivos da Agenda 21, o documento aprovado pelos 179 países participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92 (Rio de Janeiro, junho de 1992), que estabelece compromissos para o crescimento neste século, baseados em mudanças no padrão de desenvolvimento, que priorizem métodos equilibrados de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica, de modo a garantir a sustentabilidade da vida no Planeta.

Participar da construção de uma nova relação com o meio ambiente é estimular a adoção de técnicas que visem a harmonizar manejo agrícola e conservação das florestas. É apoiar práticas de agricultura que reduzam a degradação excessiva dos recursos naturais utilizados para a produção de alimentos, como solo e água, e ao mesmo tempo contribuam para a manutenção da fauna e da flora locais.

O que podemos perceber é que todas as ações que visem a equilibrar o bem-estar da humanidade com a conservação e preservação dos recursos naturais, aliados a técnicas e tecnologias que permitam o desenvolvimento social e econômico e garantam condições favoráveis de vida neste planeta para as gerações futuras estão intimamente ligadas a programas e projetos de educação ambiental.

A sustentabilidade passa pela educação ambiental e vice-versa. Mas a união destas práticas leva ao exercício da cidadania planetária

Antonio Carlos Teixeira
Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais, consultor de comunicação, meio ambiente e sustentabilidade, editor do Blog TerraGaia

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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  1. Ótimo texto uma visão ampla sobre sustentabilidade e educação ambiental Parabéns.

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