Rio+20: ONGs atacam documento final da conferência

Stephen Hale (dir.), diretor de campanhas e políticas internacionais da ONG Oxfam International: "A Rio+20 será vista como um encontro falso." Foto Antonio Carlos Teixeira

Stephen Hale (dir.), diretor de campanhas e políticas internacionais da ONG Oxfam International: “A Rio+20 será vista como um encontro falso.” Foto Antonio Carlos Teixeira

 

Por Antonio Carlos Teixeira, editor do blog TerraGaia

Organizações não governamentais junto com representantes de povos indígenas, direitos das mulheres e dos jovens atacaram hoje no último dia da Rio+20 o documento final adotado há pouco pela Plenária de Alto Nível da ONU. Entre as maiores reclamações estão a de que o texto reflete anseios corporativos, não representa a sociedade civil global, não garante a segurança alimentar e se desviou do caminho do desenvolvimento sustentável.

“A Rio+20 será vista como um encontro falso”, disparou Stephen Hale, diretor de campanhas e políticas internacionais da ONG Oxfam International. Segundo ele, a conferência teve a possibilidade de criar um documento para definir e avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e reforçar a segurança alimentar. Hale ressaltou que a os governantes que participaram da conferência não souberam aproveitar a oportunidade que tiveram de avançar em direção ao desenvolvimento sustentável, propondo soluções integradas para resolver as atuais crises ambiental e econômica. Não podemos resolvê-las sem perceber as conexões existentes entre elas,” analisou.

Michael Strauss, da Earth Media, disse que a Rio+20 deveria manter-se na agenda do desenvolvimento sustentável, mas se desviou do caminho. “Temos uma grave crise: a agenda de crescimento da Rio+20 foi baseada em assuntos corporativos,” avaliou.

Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace, disse que os governos falharam ao não implementarem no documento final ações necessárias com prazos e objetivos específicos. “Os governantes não passaram nem uma hora conversando entre si. Abrir mão dessa responsabilidade é trágico,” frisou.  Para Naidoo, os governantes estão sofrendo de grave falta de ambição e de resposta às necessidades do mundo. “O fato de ter pessoas passando fome no mundo não nos permite fechar os olhos,” ressaltou.

Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace: "Os governantes estão sofrendo de grave falta de ambição e de resposta às necessidades do mundo. O fato de ter pessoas passando fome no mundo não nos permite fechar os olhos." Foto Antonio Carlos Teixeira

Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace: “Os governantes estão sofrendo de grave falta de ambição e de resposta às necessidades do mundo. O fato de ter pessoas passando fome no mundo não nos permite fechar os olhos.” Foto Antonio Carlos Teixeira

O representante do Greenpeace disse ainda que a Rio+20 é preponderantemente masculina. “Homens se encontram para falar sobre direitos reprodutivos da mulheres,” criticou.” Essa visão também foi compartilhada pela ministra do meio ambiente da Islândia, Dóris Leuthard: “Não podemos deixar de ressaltar a importância das mulheres assegurarem os seus direitos reprodutivos. Por isso, não apoiamos a retirada do tema do documento final”, discordou ela, numa clara resposta à delegação do Vaticano. Segundo Leuthard, “não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de gênero e empoderamento feminino.”

A discordância com o texto final de “O Futuro que Nós Queremos” é tamanha entre os representantes da sociedade civil é tanta que a rede de ONGs ANPED criou a petição “O Futuro que nós NÃO Queremos. O documento já tem duas mil assinaturas.

O diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, não concorda com a posição das ONGs. “O documento reafirma os direitos humanos e deve ser lido novamente por aqueles que o criticam”, disse. Mesmo assim, ele se mostrou preparado para continuar a defender o desenvolvimento sustentável. “A proteção da natureza continua sendo uma batalha. Se não tivermos uma abordagem mais eficaz para um desenvolvimento sustentável vamos nos reunir daqui a 20 anos e aí o balanço pode ser pior, frisou Steiner.

Outra que se mostrou não muito confortável com as posições da ONGs Martina Bianchini, executiva da International Chamber of Commerce. Segundo ela, O núcleo da economia são as indústrias e elas fazem parte do processo. “O conceito de economia verde deve ser desmistificado. As empresas representam um papel fundamental para a erradicação da pobreza e a Rio+20 confirmou e reconheceu a necessidade das abordagens multilaterais”, defendeu.

Martina Bianchini, da International Chamber of Commerce: "O conceito de economia verde deve ser desmistificado. As empresas representam um papel fundamental para a erradicação da pobreza e a Rio+20 confirmou e reconheceu a necessidade das abordagens multilaterais." Foto Antonio Carlos Teixeira

Martina Bianchini, da International Chamber of Commerce: “O conceito de economia verde deve ser desmistificado. As empresas representam um papel fundamental para a erradicação da pobreza e a Rio+20 confirmou e reconheceu a necessidade das abordagens multilaterais.” Foto Antonio Carlos Teixeira

Ao que parece, o confronto de ideias não vai terminar após o final da conferência. Ao contrário. “Vamos nos mobilizar e exigir que o mundo faça o que não foi feito na Rio+20”, convocou Stephen Hale, da Oxfam.

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Consultor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Consultant for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
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