Rio+20: Dilma diz que documento final reconhece que medição atual do PIB é insuficiente para medir desenvolvimento dos países

Por Antonio Carlos Teixeira, editor do blog TerraGaia

Em discurso na abertura da reunião dos chefes de Estado na Rio+20, a presidente brasileira Dilma Rousseff disse que o documento “O Futuro que Nós Queremos”, assinado ontem pelos negociadores e diplomatas, reconhece a “insuficiência do Produto Interno Bruto (PIB) como critério para medir o desenvolvimento das nações”. Segundo a presidente, o documento enfatiza que é necessário considerar a partir de agora critérios sociais e ambientais.

Dilma não deu detalhes sobre como será feita essa nova medição das riquezas de cada nação. Entrentanto, o negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, disse mais tarde que a ONU fará estudos, por meio do seu departamento de estatística, para identificar como esse novo índice será criado para aferir uma riqueza que leve em consideração critérios econômicos, sociais e ambientais.

Dilma disse também que o documento está, sim, adotando os Objetivos de Desenvolvimeno Sustentável, “que darão foco e orientação aos nossos esforços coletivos.” A presidente brasileira acrescentou que o Brasil reconhece que várias conquistas da conferência Rio 92 ainda não foram atingidas em nível internacional, mas que o país tem procurado fazer a sua parte. “Temos avançado com determinação em nosso modelo de desenvolvimento sustentável. Estamos crescendo com inclusão e justiça social, ampliando nossas áreas de proteção ambiental, reduzindo desmatamento e produzindo riqueza”, afirmou.

Em claro recado dado para os líderes das nações que resistem a adotar critérios de proteção e prevenção contra a mudança climática, Dilma lembrou que os compromissos de redução de emissões negociados pelo Protocolo de Kyoto não foram atingidos. “Sabemos que o desenvolvimento sustentável é a melhor resposta para a questão do clima”, assinalou.

A presidente brasileira ressaltou que o Brasil avança com identidade própria no campo do desenvolvimento sustentável. “Nosso modelo de desenvolvimento sustentável não é o único, mas mostra que é possível avançar”, conclamou. Para Dilma, a conferência deve gerar comprometimentos firmes para o desenvolvimento sustentável. “Temos que ser ambiciosos. Não podemos retroceder nos compromissos assumidos em 1992”, frisou.

Outra expectativa de todos os que acompanham a conferência era sobre o destino do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Ambientalistas e alguns diplomatas tinham esperanças de que o PNUMA fosse transformado numa agência da ONU para comandar as questões ambientais em nível mundial. Sem dar mais detalhes, Dilma disse apenas que o programa “sairá fortalecido do Rio de Janeiro.”

Dilma agradeceu a todos os representantes da sociedade civil global que acompanham a conferência e conclamou as empresas privadas a integrar informações de sustentabilidade nos seus relatórios corporativos. “Caberá a nós demonstrar capacidade para agir. O futuro das próximas gerações aguarda as nossas decisões,” avaliou.

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Jornalista, pós-graduado em Ciências Ambientais (UFRJ); 20 anos de experiência na área de comunicação, jornalismo, edição de livros, revistas, sites, blogs e gestão de equipes; consultor/formador do primeiro Curso de Comunicação e Jornalismo Ambiental promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, São Tomé e Príncipe, setembro 2014); integrante da Delegação Oficial da Câmara Brasil Alemanha para visita à IFAT Entsorga 2010 (Feira Internacional de Água, Esgoto, Lixo e Reciclagem), em Munich (Alemanha); organizador e coautor do livro “A Questão ambiental – Desenvolvimento e Sustentabilidade (Rio de Janeiro: Funenseg, 2004); autor de artigos, palestrante e mediador (congressos, debates, painéis) nas áreas de comunicação, seguro, meio ambiente, educação ambiental e sustentabilidade; coautor do projeto “Proposta de ações de educação ambiental para a Ilha Primeira, Barra da Tijuca – RJ” (Brasil, 2005); editor, videomaker e jurado de festivais de cinema ambiental.
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