Rio+20: apesar de “texto suave”, rascunho zero precisa respeitar limites do planeta

Uma grande expectativa tomou conta hoje na sede da Conferência Rio+20 (Rio Centro, zona oeste do Rio de Janeiro), por causa do vazamento no fim de semana do rascunho zero do documento “O Futuro que Nós Queremos”. Não faltaram críticas devido à retirada do texto de questões como a criação do fundo de US$ 30 bilhões para financiamento de ações sustentáveis e ambientais e dos Objetivos de Desenvolvimento.

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Para Tarja Halonen, ex-presidente da Finlândia e co-presidente do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre Sustentabilidade Global, talvez o texto do relatório esteja com uma “formulação mais suave”. Mas ela acredita que, apesar da aparente suavidade que o texto pode apresentar no momento, não está sendo negada a existência das fronteiras e dos limites da Terra. “Estamos tentando encontrar a limitação correta. O planeta não pode suportar tudo”, assinalou. Enquanto o esperado documento final não sai (a expectativa é que seja finalizado até a madrugada desta terça-feira, 19), algumas opiniões estavam voltadas para a polêmica que alguns cientistas têm defendido em torno do ceticismo sobre o aquecimento global. E as reações a essa opiniões têm sido duras. “Esse é um debate estúpido. Não daremos ouvido a eles, mas sim aos cientistas sérios que estão aqui”, reagiu Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega, ex-diretora Geral da Organização Mundial de Saúde, membro do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre Sustentabilidade Global. “Não podemos dar ouvidos a cientistas que não têm o menor conhecimento sobre a atual realidade científica”, frisou.

Polêmicas à parte, o fato é que não há como duvidar da urgência com que devem ser tratatos temas como água, energia e produção e consumo de alimentos no mundo. Até porque os três assuntos estão umbilicalmente ligados. “Existe uma crise alimentar que está sendo gerada pelo brutal desperdício de alimentos”, denunciou Carlo Petrini, presidente do movimento Slow Food Internacional. Segundo ele, duas situações dramáticas estão motivando essa situação: o avanço das multinacionais agrícolas e o modo irresponsável como a sociedada trata os alimentos.

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Petrini diz que formas de neocolonismo estão destruindo todos os campos agrícolas no mundo. “Temos uma situação dramática na África: os nômades não têm mais terras. É preciso também fazer com que a propriedade das sementes volte para o campo, ou seja, para os produtores agrícolas”, salientou. Para o presidente do Slow Food, o desperdicio de alimentos está destruindo o valor da alimentação e a sabedoria dos pequenos produtores.

Sendo agricultura tradicional uma das indústrias que mais desperdiça água no mundo, é louvável que o interesse pelo tema esteja cada vez maior. “A água é um insumo associado a clima e energia. É o mais impactado nas mudanças climáticas”, avalia Benedito Braga, professor da USP e vice-presidente do Conselho Mundial de Água (WWC, sigla em inglês de World Water Council). No Diálogo promovido pela Rio+20 sobre o tema hoje, o interesse pelo tema deixou Braga surpreso: estavam lá o ex-presidente brasileiro Fernando Collor de Mello e o rei da Suécia, Carl Gustaf. “Tradicionalmente, as reuniões sobre meio ambiente da ONU estavam focadas em floresta e clima”, lembrou. Para Braga, a reunião de hoje é um marco na ONU. “A água é um tema que vai além da questão ambiental”, enfatizou.

Já para a ex-secretária do Departamento de Recursos Hídricos do Ministério do Desenvolvimento Rural da Índia, Santha Sheela Nair, a água tem que ser um direito de estado, garantido para todos. A comunidade internacional tem que assumir a responsabilidade de garantir que o direito à agua e ao saneamento sejam prioritários”, assinalou.

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O presidente da WWC, Loïc Fauchon, ressaltou que apenas 40 países do mundo adotaram em suas constituições o direito ao acesso à água e ao saneamento para seus cidadãos. “Nos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável de hoje, a água foi colocada como prioridade e será assim recomendada aos presidentes na Reunião de Alto Nível da Rio+20″, afirmou Fauchon.

Na questão energética, a recomendação à Reunião de Alto Nível dos Diálogos realizados hoje sobre o assunto será a de elevar o nível de investimentos para garantir o acesso à fontes de energia renovável até 2030, como destacou Sheila Oparaocha, secretária executiva da Rede Internacional para Gênero e Energia Sustentável.

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Porém, Oparaocha frisou que é necessário contextualizar a discussão sobre o uso de combustíveis fósseis nos países pobres ou em desenvolvimento. “A utilização de energia ainda é muito cara e uma preocupação constante nesses países”, ressaltou. Já o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudança Climática, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o acesso universal à energia sustentável e o problema ambiental decorrente do uso de combustíveis fóssei são assuntos que precisam ser resolvidos em conjunto.

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Gestor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Manager for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
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