II Congresso Sul Americano de Energias Renováveis e Meio Ambiente: primeiro dia revela excelentes perspectivas

O primeiro dia do II Congresso Sul Americano de Energias Renováveis e Meio Ambiente, realizado hoje (quinta-feira, 3/5) no auditório da UNOESC, na cidade de Xanxerê (SC), revelou excelentes perspectivas para o setor no Brasil.

Gilberto Hollauer, chefe do Núcleo de Estudos Estratégicos de Energia do Ministério de Minas e Energia, disse que o país tem um “potencial fantástico” para o desenvolvimento da energia eólica (“inclusive em Xanxerê, pois aqui existe um bom regime de ventos”), e que a energia solar, apesar de ainda ser cara, conta com duas vantagens. “O nível de irradiação solar é elevado e o Brasil ainda dispõe de silício de alta pureza”, ressalta ele, referindo-se ao tipo de recurso natural usado na fabricação dos painéis fotovoltaicos.

Para Hollauer, o Brasil está na vanguarda das discussões e projetos no campo das energias renováveis. “É o primeiro aluno da classe em nível mundial”.

Já Alcides Neto, um dos brasileiros integrantes do Grupo de Trabalho de Energia Renovável no âmbito da América Latina, disse que as possibilidades de crescimento são excelentes na região. “As energias renováveis são a bola da vez na América Latina”.

Segundo ele, a despeito de o Brasil ser o país que apresenta mais condições de desenvolvimento das energias renováveis, toda a região tem oferecido oportunidades de negócio competitivas, tanto para as energias renováveis convencionais (como as hidrelétricas) quanto para as não convencionais (eólica, solar e biomassa, etc.).

Para Neto (que é executivo da CHESF), uma das energias renováveis não convencionais que poderá ganhar um “espaço relevante” na geração de energia na América Latina é a geotérmica. “Já existem instalações na Costa Rica, Nicarágua, México e El Salvador”, disse.

Jorge Luis Alves, gerente do Depto.de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Eletrosul: desafio brasileiro para a produção de energia fotovoltaica é a purificação do silício

Jorge Luis Alves, gerente do Depto.de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Eletrosul: desafio brasileiro para a produção de energia fotovoltaica é a purificação do silício

As oportunidades que estão surgindo para o desenvolvimento das energias renováveis no país também podem ser vistas nas oportunidades que estão sendo oferecidas por agências e bancos dispostos a financiar tais projetos. Segundo Rogério Gomes Penetra (gerente de Planejamento do BRDE – SC), os interessados devem procurar, por exemplo, programas de financiamento oferecidos pelo BNDES e pelo governo de Santa Catarina, e pela Proparco, da França.

A energia gerada por hidrelétricas tem sido motivo de amplo debate no Brasil, principalmente num momento em que se discute o impacto que a usina de Belo Monte terá para a região amazônica e para os seus moradores. Para os defensores desse tipo de geração de energia, uma opção seria o incentivo à construção de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em vez de se investir nas usinas de grande porte (UHEs).

Na palestra “Saturação das UHEs versus potencial das PCHs”, Michel Becker, diretor de Geração e Transmissão da Celesc Geração, disse que as duas formas de geração de energia não são concorrentes, mas complementares. “Devem ser prioridade no planejamento da matriz energética brasileira, pois são sustentáveis e de baixo impacto”, ressaltou. Segundo ele, o potencial do Brasil para a geração de energias provenientes de PCHs, vento (eólica) e biomassa (resíduos orgânicos, madeira, etc.), “em energia firme”, equivale a 3,7 Belo Monte, ou 16,7 gw.

No Brasil, a produção de painéis fotovoltaicos (essenciais para a geração de energia solar) ainda esbarra no desafio de desenvolver tecnologias capazes de realiar a purificação do silício, elemento fundamental para a fabricação destes equipamentos. “Tudo o que está associado à energia fotovoltaica demanda tecnologia de ponta”, destacou Jorge Luís Alves, gerente do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Eletrosul. A China, ressaltou Alves, é a grande líder mundial desta tecnologia, seguida por Alemanha, Espanha e Japão. “Em 2004, a China dominava 44% do mercado mundial de energia solar. Atualmente, já ultrapassou 50% desse negócio”, complementou Vitor Paulo Soares Silva, administrador da empresa Lógica, de Portugal. Silva inclui ainda países como Itália, Índia e Reino Unido como grandes investidores em energia solar. Segundo ele, esse mercado só tende a crescer em nível mundial. “Em 2011, a energia solar cresceu 44% em relação a 2010”.

O professor Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, concorda que a energia solar “é algo a se pensar no Brasil.” Mas ele discorda quando o assunto é energia eólica e fotovoltaica. Segundo ele, esses dois tipos de energia renovável ainda tem custos caros para o seu desenvolvimento no país. “No caso da energia eólica é preciso ter mais cuidado, pois países como a Alemanha estão deixando de investir nela e se voltando para as termelétricas”, observou. Molion ressalvou, entretanto, que regimes de vento registrados na cidade de Osório (RS) e na costa norte/nordeste do Brasil podem fazer destas regiões locais adequados para o desenvolvimento da energia eólica, quando analisados sob o aspecto do fator de carga (geração de ventos) e não da potência instalada dos equipamentos. A melhor opção de energia renovável para o Brasil, segundo ele, é a gerada por hidrelétricas. Mas ele também vê com bons olhos a geração de energia proveniente de biomassa, principalmente do óleo de palmáceas como buriti e carnaúba.

O cientista brasileiro Luiz Carlos Molion: hidrelétrica é a melhor opção de energia renovável para o Brasil

O cientista brasileiro Luiz Carlos Molion: hidrelétrica é a melhor opção de energia renovável para o Brasil

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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