Pacto das Águas: projeto incentiva produção de “joias da floresta”

Por André Alvesimprensa@pactodasaguas.org.br

Valorizar o artesanato indígena é uma forma eficiente de estimular a geração de renda, incentivar o protagonismo feminino, além de conservar a floresta em pé. É nisso que acredita o projeto Pacto das Águas, realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental. Desenvolvido no Noroeste de Mato Grosso, o projeto está contribuindo para melhorar a visibilidade do artesanato e mostrar não só a beleza estética mas também a importância econômica e cultural dessas joias da floresta para os povos que as produzem.

Uma das ações é a criação da identidade visual das Joias da Floresta, trabalhadas pelos povos Rikbaktsa e Zoró. Toda a produção comercializada pela Associação do Povo Indígena Zoró (APIZ) e da Associação Indígena das Mulheres Rikbaktsa (AIMURIK) passa a ter uma etiqueta comprovando sua origem e importância cultural. “Um consumidor ao adquirir as joias da floresta precisa ter a consciência de que está apoiando um grupo de mulheres na manutenção de sua cultura, na construção de uma vida digna e na manutenção da floresta, que representa muito mais que estoques de carbono, representa a morada dos seus espíritos, o local de sepultamento de seus mortos e a herança para os jovens e àqueles que ainda não nasceram” explica Plácido Costa, coordenador do projeto.

Além disso, o Pacto das Águas está utilizando a expertise adquirida, trabalhando com os povos da floresta em boas práticas no manejo da castanha-do-Brasil e látex, para as joias da floresta. Uma das ações mais significativas está no mapeamento de toda a cadeia produtiva do artesanato bem como o processo de capacitação em gestão de negócios e na realização de troca de experiências. Para tanto, um grupo de mulheres Rikbaktsa e Zoró irá conhecer a Associação do Povo Indígena Apurinã, em Boca do Acre (AM), reconhecida internacionalmente pela qualidade de seu artesanato.

“Nossa intenção é dar uma condições para que as mulheres possam estruturar a cadeia produtiva do artesanato, conseguindo preços mais justos para essas joias para que essa atividade, executada pelas mulheres, volte a ter a sua importância devida”, complementa Costa. Para se ter uma ideia dessa importância, o artesanato Rikbaktsa chegou a gerar cerca de cem mil reais por ano, antes da legislação federal proibir a comercialização de arte plumária. Atualmente, com sementes, fibras e outros produtos florestais não-madeireiros o artesanato gera 30 mil reais por ano para as mulheres da etnia, distribuídas em 34 aldeias, mas com grande potencial de ampliar essa renda.

“O artesanato é uma importante fonte de renda para os índios Zoró, que envolve cerca de 200 mulheres”, explica Rosimar Braga, gestora de negócios da APIZ. “A expectativa é que com a criação da marca Joias da Floresta e de todo assessoramento do projeto a gente consiga ampliar a comercialização desses produtos”, complementa.

O artesanato por ser uma atividade quase que exclusivamente feminina e envolvendo todas as aldeias pode ser um excelente aliado na gestão ambiental e territorial, porque se trata também, de uma atividade de uso sustentável da floresta. “Ao trabalharem com as fibras, sementes e outros produtos florestais não-madeireiros, elas estão gerando renda em cima da valorização da floresta em pé”, explica Costa. “O projeto Pacto das Águas opera com uma perspectiva de mercado, mas na condição de ser uma estratégia para fazer valer aquilo que vale a pena para esses povos”, finaliza.

Pacto das Águas

O projeto Pacto das Águas nasceu do desejo de seringueiros, povos indígenas e agricultores familiares do noroeste da Amazônia mato-grossense de construir alternativas ao modelo de ocupação predominante nessa região. Os esforços do Pacto das Águas são direcionados a ações de suporte à organização social de comunidades e para o manejo e a comercialização de produtos florestais, como a castanha-do-Brasil e o látex da seringueira nativa. São parceiros locais os povos indígenas Zoró e Rikbaktsa, além dos seringueiros da Reserva Extrativista Guariba – Roosevelt. A realização do projeto é do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã e é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Fotos em: http://www.pactodasaguas.org.br/index.php?mod=48

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Gestor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Manager for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
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