Nação de Kiribati se prepara para emigração em massa

Por Fabiano ÁvilaInstituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais

No que pode ser o primeiro grande deslocamento humano causado pelas mudanças climáticas, as 113 mil pessoas que constituem a população de Kiribati devem fugir do aumento do nível do mar que ameaça seu país indo para Fiji

 

O governo de Kiribati, uma nação insular no Pacífico formada por 35 ilhas e com uma área total de 811km², cobrou em todas as Conferência do Clima das Nações Unidas que atitudes fossem tomadas para mitigar as mudanças climáticas, pediu para que os países mais ricos parassem de emitir gases do efeito estufa e alertou para a necessidade de ajudar os mais vulneráveis a se adaptarem. Parece que todos esses apelos foram em vão.

Nesta semana, o presidente do país, Anote Tong, anunciou que está negociando a compra de 20 km² de terras em Fiji, para poder realocar a população de 113 mil kiribatianos.

“Esta é a nossa última opção, não existe plano B. Nosso povo terá que se mudar, pois as marés estão alcançando nossas casas e vilas”, afirmou Tong.

O governo chegou a traçar outras opções, como criar paredões, que custariam cerca de US$ 1 bilhão, para conter o aumento do nível do mar ou construir ilhas, parecidas com plataformas de petróleo flutuantes, para abrigar os habitantes, ao custo de US$ 2 bilhões.

Como nenhuma dessas iniciativas ganhou força, parece que a saída para a sobrevivência do país está mesmo na realocação de sua população.

O presidente Tong deseja primeiro enviar trabalhadores especializados para Fiji, pois eles seriam mais bem recebidos pela população local e contribuiriam positivamente para a economia.

“Não queremos migrar as 100 mil pessoas de Kiribati de uma vez para Fiji. Precisamos de emprego e queremos ser encarados não como refugiados, mas como imigrantes com habilidades para oferecer. Desejamos ter um papel na sociedade local e não sermos vistos como cidadãos de segunda classe. O que precisamos é que a comunidade internacional crie um pacote urgente de financiamento para ajudar países em necessidade como Kiribati”, afirmou Tong.

O governo lançou inclusive um programa chamado “Educação para Migração”, que tem como objetivo melhorar as capacidades de trabalho dos kiribatianos para torná-los emigrantes mais preparados.

Muitas das ilhas de Kiribati já estão desaparecendo, pois a maioria delas não está nem um metro acima do nível do mar. Lavouras e fontes de água potável se perderam devido ao avanço do oceano.

Comunidades que já foram afetadas pelas marés estão ocupando provisoriamente acampamentos na principal cadeia de ilhas do país, Tarawa, onde está localizado o centro administrativo do governo.

Segundo dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o nível dos oceanos poderá subir de 18 a 59 centímetros até o fim do século, com relação aos níveis de 1980-1999.

Vídeo: Kiribati – A Climate Change Reality / UNDP

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Gestor de Comunicação para Sustentabilidade, Assessor Corporativo de Transição para uma Sociedade de Baixo Carbono, editor do blog TerraGaia. //// Communication Manager for Sustainability, Corporate Advisor for Transition to a Low Carbon Society, TerraGaia blog editor.
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