A revolta das águas

 

 

Enchente na Região Serrana do Rio de Janeiro: águas em fúria

 

Água para beber, água para banhar, água para refrescar, água para lavar, água para energizar, água para irrigar, água para crescer, água para navegar, água para contemplar…

22 de março é o Dia Mundial da Água. As águas fazem parte da nossa vida desde antes do nascimento. Um elemento precioso, soberano no nosso planeta e essencial para a vida. Mas a mesma água que nos traz à beleza da vida, também pode trazer destruição quando torna-se incontrolável.

Sim, esta mesma água que nos é tão cara é capaz de transformar-se num Leviatã, cuja fúria não tem oponentes no mundo dos humanos. Que o diga a região serrana do estado do Rio de Janeiro e o nordeste do Japão, dois casos recentíssimos (três, se levarmos em conta as enchentes ocorridas no estado de Queensland, na Austrália, em dezembro do ano passado) vítimas do poder avassalador e do domínio que esse elemento exerce sobre o planeta, ocupando 70% de sua superfície. E esse percentual pode ser ainda maior nas próximas décadas.

Muralhas de gelo maciço derretem na Groenlândia e na Antártida: oceanos podem subir 15 centímetros em 40 anos

Pesquisas indicam que os polos estão derretendo a uma velocidade maior do que a esperada, nesses tempos de aquecimento global. Dados da Nasa anunciados este mês apontam que 36,3 gigatoneladas de massa polar foram acrescentados sucessivamente às perdas registradas a cada um dos anos de 1992 a 2009 na Groenlândia e na Antártida. Em 2006, por exemplo, o derretimento chegou a 475 gigatoneladas, o suficiente para elevar o nível dos oceanos em 1,3 milímetro por ano. Parece pouco, mas se continuar nesse ritmo, em 2050 a elevação dos mares chegará a 15 centímetros, um nível bastante perigoso para as cidades litorâneas do mundo.

Até o momento, 2011 pode ser identificado como um ano das águas… Das águas revoltas! Temporais, enchentes, tsunamis, ondas, “paredes” de água, correntezas destrutivas, inundações. Quando as águas vêm, não há como frear sua ira.

Entender o processo de formação da água e reduzir as probabilidades de fomentar ou estimular seu poder de destruição são formas de minimizar os impactos negativos que as  águas em fúria podem causar à civilização. Mas essa mesma civilização tem o dever e a responsabilidade de não provocar a sua ira. Mas é exatamente o que estamos fazendo ao negarmos o problema do aquecimento global e da mudança clima como (também) uma consequência das ações humanas ligadas a produção, consumo e cultura.

Região da província de Miyagi, no Japão, sob a ira das águas da Tsunami: mortos podem passar de dez mil

Precisamos alcançar essa percepção. As águas podem continuar a ser aliadas no  nosso desenvolvimento. Mas não a custa de ações e decisões equivocadas, baseadas em egoísmo, individualismo e exploração de um sobre o outro.

Talvez esse seja o recado que está sendo dado pelas águas e pelas forças naturais e divinas que as regem desde a formação do planeta.

 

Atlaua, Senhor das Águas asteca: qual é a mensagem das forças que regem esse elemento?

 

Água para nadar, água para mergulhar, água para batizar, água para benzer, água para ofertar, água para orar, água para meditar, água para renovar, água para nascer, água para morrer, água para renascer…

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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