2011-2020, Década da Biodiversidade: tempo de reduzir a ingratidão

Imagem: colagens de várias imagens captadas na internet. Arte: Antonio Carlos Teixeira

O ano de 2011 será conhecido na história ambiental mundial por, pelo menos, dois motivos. Primeiro, é o marco que a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu para configurar o Ano Internacional das Florestas, esse fantástico bioma que se apresenta em quase todas as partes do globo; segundo, inicia a Década da Biodiversidade, um tempo (antes tarde do que nunca…) que teremos para ampliar nossas reflexões e agilizar as ações em defesa da manutenção das diferentes formas de vida no planeta. Até porque o cenário e as previsões não são nada favoráveis para a diversidade biológica na Terra.

As páginas do recente relatório “Panorama da Biodiversidade Global 3” nos mostram a preocupante situação atual e os rumos dos seres viventes da Terra: a diversidade de vida está diminuindo. E o que nós temos a ver com isso?

Tudo.

Copyright: Antonio Carlos Teixeira

A diversidade de vida está diminuindo na Terra. E o que nós temos a ver com isso?

A redução ou a perda irreversível (leia-se “extinção”) atinge hoje espécies de fauna, flora, microorganismos… Nesse rol, estão incluídos mamíferos, aves, anfíbios, insetos, plantas, corais, peixes, vertebrados, invertebrados, etc. Da baleia ao plancton; do ser mais robusto à espécie mais sensível. E todos – absolutamente todos – têm algum tipo de interação com o ser humano. Muitos, inclusive, contribuem para o nosso desenvolvimento científico e tecnológico. E justamente o ser humano é o principal algoz da diversidade biológica no planeta. Quanta ingratidão.

Uma das causas dessa ingratidão é o nosso descaso com o cumprimento de metas e objetivos. Dá para sentir o grau de decepção nas palavras do Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), BAN Ki-moon, no texto de apresentação do relatório:

“Em 2002, os líderes mundiais concordaram em atingir uma redução significativa na taxa de perda de biodiversidade até 2010. Tendo revisado todas as evidências disponíveis, incluindo relatórios nacionais apresentados pelas Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, esta terceira edição do Panorama da Biodiversidade Global conclui que o objetivo não foi cumprido. Além disso, o Relatório alerta: as principais pressões que conduzem à perda de biodiversidade não são apenas constantes, mas estão, em alguns casos, se intensificando.”

A questão é: Por quê esse objetivo não foi alcançado?

A resposta: não estava entre as prioridades dos líderes do mundo nos últimos oito anos. A grande contradição é que esses mesmos líderes internacionais sempre escolhem lugares paradisíacos, naturais, idílicos quando querem “recarregar suas energias”, abatidas por causa dos estresses provenientes do dia a dia do poder. Alguém já viu mandatários passar férias em lugares degradados? Descansar numa cidade com ar contaminado? Mergulhar em praia poluída? Meditar em local devastado? Passear em área desmatada? Relaxar em balneário infestado de pragas?

Copyright: Antonio Carlos Teixeira

Alguém gosta de passar férias em lugares degradados? Descansar em cidade com ar contaminado? Mergulhar em praia poluída? Meditar em local devastado? Passear em área desmatada?

O cenário está ficando cada vez mais complicado: o globo aquece, o clima muda, as cidades inundam, os oceanos avançam, a vida recua.

Agimos como se fôssemos os donos perpétuos e indiscutíveis do planeta.

Não somos não.

A Terra não é nossa. Nem nunca foi. No máximo, somos “síndicos” desse frondoso “condomínio” localizado na zona verde do Sistema Solar, que há bilhões de anos flutua na imensidão dos Cosmos, ventre de incontáveis, diversas e admiráveis formas de vida.

Essa é a era dos seres humanos. E temos que honrá-la. Estamos aqui para cuidar do planeta, não para destruir as espécies que dele brotam.

Que essa nova década seja o começo do fim: do fim do egoísmo, da devastação, da destruição, da guerra, da ganância.  E o início de ações e sentimentos baseados em cuidado, bem comum, bom senso, equilíbrio, sustentabilidade, conservação e preservação.

É tempo de reduzir essa ingratidão.

Copyright: Antonio Carlos Teixeira

Essa é a era dos seres humanos. E temos que honrá-la. Estamos aqui para cuidar do planeta, não para destruir as espécies que dele brotam

Leia o relatório “Panorama da Biodiversidade Global 3“.

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Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
Esse post foi publicado em Biodiversidade, Consciência ambiental, Conservação, Desertificação, Desmatamento e degradação, Fauna, Flora, Impactos ambientais, Responsabilidade socioambiental, Sustentabilidade e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para 2011-2020, Década da Biodiversidade: tempo de reduzir a ingratidão

  1. Altenir Dias Mendes disse:

    De fato é lamentável a ingratidão do homem, com o Meio Ambiente, a covardia em desmatar e capiturar animais da fauna silvestre, no meu entendimento é precisa mais rigor na lei 9.605/98 e maior fiscalização com o objetivo de identificar estes criminosos, para que sejam punidos e servim de exemplo.

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