COP 16: o amanhecer da serpente dourada

O encerramento da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, na última sexta-feira, trouxe mais dúvidas e frustrações do que alegrias e confiança em relação ao futuro das ações contra a mudança do clima no planeta.

Motivos para comemorar? Muito poucos. Talvez, a sobrevida do Protoloco de Kioto, embora as chances desse acordo evoluir para algo maior em benefício da vida do planeta tenham se reduzido ainda mais, desde Copenhague, palco da COP anterior, no ano passado. Não há compromissos; apenas “promessas”.

Aliás, a falta de compromisso tem sido constante em reuniões internacionais para discutir clima, aquecimento global e mudança climática. Não há  carta, consenso ou “documento final” que seja respeitado. Sinceramente…

Na COP 15, anunciou-se a criação de um fundo de 100 bilhões de dólares para ajudar países pobres a enfrentar as alterações no clima. De um ano para cá, não saiu do papel: foi “empurrado” para a conferência de Cancún, que agora desce barriga abaixo para Durban, na África do Sul, sede da COP 17 (a partir de 29 de novembro de 2011). O mau costume de “deixar para depois” domina as decisões oficiais nos debates mundiais sobre o clima.

Até que provem o contrário, a maioria dos países que domina a discussão climática internacional só quer “ficar bem na foto” à espera de 2012, quando expira a primeira meta do compromisso de Kyoto (redução das emissões dos gases do efeito estufa – GEE em 5,2% em relação aos níveis de 1990).

O que pode ser feito? Levar para cada uma dessas reuniões atitudes como transparência, bom senso e comprometimento com a manutenção da vida saudável nesse planeta, por sinal, o único que temos para (sobre)viver. Mas, ao contrário, as nações mais desenvolvidas (política, econômica e militarmente) mais parecem uma caixa preta blindada quando chegam a essas reuniões. No máximo, articulam com quem é igual ou tem posições de interesses comuns. Ou seja: só olham para o seu próprio umbigo.

A questão ambiental ou climática não se resolverá com manobras, egoísmos e conchavos. Se vermos o futuro (em vez de olhar o presente…), poderemos alterar o estado de espírito nas mesas de negociação sobre o aquecimento global.

Exigimos tanto que “tal país” tem que rever suas emissões, mas não empreendemos a mesma força nas palavras quando essa mudança de postura refere-se à nossa nação.

Por que só o outro é que tem que mudar?

No tempo dos Maias, quando os primeiros raios solares cobriam a região do famoso balneário onde foi realizada a conferência, ocorria ali a manifestação da “serpente dourada” (“kaan kun”).

Símbolo de ressurreição na cultura maia, que esse mítico animal inspire presidentes, chanceleres e negociadores do clima a transmutar suas visões e olhares nas próximas discussões internacionais.

Temos mais um ano antes da próxima conferência. Que o sol nos ilumine e nos permita um novo amanhecer.

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Editor do Blog TerraGaia I Sustentabilidade I Baixo Carbono I BioEconomia I Executive of Communication I Strategic Advisor I TerraGaia blog Editor I Sustainability I Low Carbon I BioEconomy
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