Família Chugaboom: “the show must go on!” em defesa do meio ambiente

Entrevista: Keila Miers, da Família Chugaboom Cine Teatro

Eles são uma “Pequena Grande Família”: a fotógrafa Keila Miers, o apresentador James Klaus Miers e o estudante Jim Kaiser Miers. Juntos, eles formam a Família Chugaboom, uma trupe que vem realizando um nobre trabalho de conscientização ambiental, utilizando recursos de vídeo, internet, encenação, ações comunitárias e encontros de campistas e de proprietários de motor home. Recentemente, em Joinville (SC), o grupo lançou a peça “O Mendigo Rodamundo”. A estréia superou todas as expectativas, principalmente pela adesão do público ao debate com os atores no final do espetáculo. “A necessidade de educar e dar bons exemplos fez com que fizéssemos essa peça, para tentar conscientizar e fazer pensar sobre o que estamos fazendo com nosso planeta”, ressalta Keila Miers. Em entrevista exclusiva ao Instituto TerraGaia, Keila adianta os planos do grupo, analisa a reação do público ao se deparar com um mendigo como personagem principal de uma peça que denuncia a ação poluidora do homem no planeta e fala da motivação da Família Chugaboom quando o assunto é a defesa incondicional da natureza. “Nas palavras de Roger Waters: ‘the show must go on!’”.

Instituto TerraGaia – Como e quando surgiu o grupo Família Chugaboom?

Keila Miers – Somos uma “Pequena Grande Família” de três pessoas: eu, Keila Kaiser Miers, 42 anos, fotógrafa, atriz e editora videográfica; James Klaus Miers, 40 anos, apresentador do programa “Nós de Joinville” na web e na tevê, ator, diretor, roteirista e repórter cinegrafista; e Jim Kaiser Miers, 14 anos, estudante e ator mirim. Vivemos única e exclusivamente da Arte.

Em 2000, nos engajamos na luta pela preservação da natureza, com o pensamento de que “não podemos mudar o mundo, mas podemos fazer a nossa parte”. Nessa época, construíamos esculturas na praia com o lixo que encontrávamos. A revolta era tanta que essa era uma forma de protestar.

James, Jim e Keila Miers, a Família Chugaboom: unidos pela causa ambiental, por meio da cultura e de ações comunitárias

Depois, resolvemos fazer curtas a respeito do assunto lixo nas praias, e nos unimos à ONG Global Garbage, onde especialistas em lixo marinho e defensores do meio ambiente se unem para difundir as atrocidades que acontecem em decorrência do lixo jogado nos mares e rios.

Em 2007, descobrimos o Teatro Miniatura Lambe-lambe. Nos apaixonamos por essa expressão teatral e criamos a peça “A Caixa Elétrica”. Essa peça, que pode ser acessada na íntegra no You Tube, difunde a arte do Teatro Miniatura e ajuda a desenvolver o gosto dos web espectadores pelo teatro. O Teatro Lambe-Lambe também está ligado à educação ambiental e à preservação da natureza, mostrando que podemos fazer um teatro com reciclagem sem muitos recursos e com seriedade.

Apresentação da peça “A Caixa Elétrica”: o Teatro Lambe-Lambe também está ligado à educação ambiental e à preservação da natureza

Com a necessidade de olhar para o lixo nas cidades e em nosso próprio bairro, onde existe uma das nascentes do rio Cachoeira, partimos para uma ação comunitária: em parceria com a Associação de Moradores do Parque Douat realizamos os documentários “SOS Nascente” e “A Rua do Lixo”.

Em 2009 estivemos na Alemanha onde passamos um mês conhecendo vários processos de criação teatral e fotográfica, culminando com uma incursão sobre a forma com que o povo alemão cuida da natureza. Observamos muita tecnologia nova, mas também ações simples que são totalmente aplicáveis aqui no Brasil para chegarmos a ter um ambiente melhor e mais bonito de se viver.

Ação ambiental numa das nascentes do rio Cachoeira, em Joinville, SC

TerraGaia – Qual é a proposta da trupe?

Keila – Apresentar os trabalhos para o maior número de pessoas, mesmo que virtualmente.

TerraGaia – Qual foi a motivação de vocês para criar a peça “O Mendigo Rodamundo”?

Keila – A necessidade de educar e dar bons exemplos fez com que fizéssemos essa peça, para tentar conscientizar e fazer pensar sobre o que estamos fazendo com nosso planeta.

TerraGaia – Como a peça está sendo recebida pelo público?

Keila – A estréia superou todas as expectativas. A mídia local ajudou bastante na divulgação. O melhor retorno mesmo foi o do público, pois, ao final da apresentação, fizeram questão de permanecer no local para debater o assunto. Isso em pleno feriadão de 2 de novembro.

TerraGaia – Qual foi a motivação do grupo para a criação de uma peça que reúne comunicação, sustentabilidade e cuidado ambiental?

Keila – Cansamos de ver pessoas, que deveriam estar à frente das massas, tomando atitudes infrutíferas… E pior: pessoas com apoio de ONGs, associações “agraciadas” com verbas que poderiam desenvolver projetos aplicáveis no cotidiano.
Fazer somente a “sua parte” não serve mais para o presente, e falar de reciclagem e “blá blá blá” não surte mais efeito nas massas. Era a hora de atacar as origens do problema, ou seja, a falta de cultura e essa questão toda de achar que o “inferno são os outros”, lembrando Dante.

James e Jim Miers no motor home: cenário da peça "O Mendigo Rodamundo"

TerraGaia – Vocês utilizam o teatro e a encenação para protestar contra algo bem real que é a questão da poluição dos recursos naturais pelo homem. Como o público está recebendo uma peça que associa lixo e consciência ecológica tendo como porta voz um mendigo?

Keila – O mendigo é histórico e recorrente no conceito popular como sendo o lixo social.Também é conhecedor inconsciente da reciclagem extrema. Basta observar seus hábitos e veremos o quanto ele se vale de qualquer ítem que encontra pelo caminho. Nas sobras de alimento sacia a fome, nos locais abandonados (mesmo que por horas) faz sua morada, das roupas sem valor ou em desuso ele se agasalha. E, francamente, o mendigo é muito mais humano em muitos aspectos, pois nas horas críticas é capaz de dividir as últimas migalhas com seu acompanhante, mesmo este sendo um cão pulguento que “lhe” adotou. Esse comportamento já não se observa nos “normais”: basta um pequeno desentendimento no trânsito para mostrarmos nossa verdadeira natureza… O silêncio e respeito do público durante a apresentação comprovam a cumplicidade de pensamento e discriminação.

Quando o mendigo atua e ganha atenção do público, percebemos que ainda existe uma parcela do povo que, antes de julgar alguém pela sua aparência – e que aparência! – procuram ali alguma essência, tal como ler algumas páginas de um livro antes de criticá-lo. É como se as pessoas dissessem: “Tudo bem, vamos ver o que sabe este inferior que ousa me pedir atenção!”

E logo se surpreendem ao verem no mendigo a externação de seus anseios. É um choque. Ao verem um “desgraçado” chamando atenção, desejam ver ali em que momento este vai se dar mal. A  desgraça é iminente e causa expectativa.

TerraGaia – Além de Joinville, a Família Chugaboom levará a peça para outras cidades de Santa Catarina? Pensam em levá-la também para outros estados?

Keila – A peça foi escrita para ser dinâmica e itinerante, podendo se adaptar à realidade de qualquer público e/ou local. Pode ser encenada num navio em alto mar, convento, mosteiro beneditino ou prostíbulo (risos). A mensagem serve para pessoas de seis a 126 anos de idade! Pensamos em apresentá-la em outras cidades, porém, até o momento não fomos procurados por ninguém. Mas estamos à disposição para agendamentos.

TerraGaia – O grupo pretende encenar novos temas associados à questão ambiental?

Keila – Sim, mas não pretendemos limitar os textos para os palcos. Temos a intenção de desenvolver projetos para cinema e televisão e, dessa forma, atingir várias camadas e padrões de audiência. Para tanto, já lançamos alguns pilotos na forma de documentários e programas para tevês (paga e aberta) e WebTV, onde já atuamos há mais de dois anos. Nas palavras de Roger Waters: “the show must go on!”

Keila Miers: "a necessidade de educar e dar bons exemplos fez com que fizéssemos essa peça, para tentar conscientizar e fazer pensar sobre o que estamos fazendo com nosso planeta"

TerraGaia – De onde vem o nome “Família Chugaboom”?

Keila – Nosso motor home, um modelo Safari 1985/1986, é um dos poucos fabricados no Brasil pela extinta Karmann Ghia. Quando compramos o motor home, nosso filho Jim, com apenas 4 anos, era fã dos desenhos da “Penélope Charmosa”. No desenho, Penélope era sempre protegida pela Quadrilha de Morte, que tinha um carro chamado “Chugaboom”. Como na nossa primeira viagem a Safari não passava dos 60 km/h, o Jim começou a imitar os integrantes da Quadrilha de Morte, dizendo para a Safari: “vamos, Chugaboom!”.

Mais tarde descobrimos uma turma que curte a Safari e que todos os anos se encontra para uma confraternização. Também somos fundadores do Grupo de Safaristas do Brasil. O grupo já existe há cinco anos e cada família participante tem um nome para identificar seu equipamento visto que todos são praticamente iguais. Quando fomos nos identificar, não deu outra: ficamos conhecidos como Família Chugaboom.

Sobre Antonio Carlos Teixeira

Executivo de Comunicação I Assessor Estratégico I Sustentabilidade/Baixo Carbono I Editor I Editor do blog TerraGaia //// Executive of Communication I Strategic Advisor I Sustainability/Low Carbon I Editor I TerraGaia blog Editor.
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4 respostas para Família Chugaboom: “the show must go on!” em defesa do meio ambiente

  1. Querida Ismine, a classe teatral tem muito a agradecer a você e a Denise pelo carinho e dedicação para com o Teatro que vocês criaram e aos filhos, netos e bisnetos que estão se multiplicando por este mundo.

    Antônio, agradecemos seu carinho!

    Agradecemos sempre o carinho do site TerraGaia por apoiar e divulgar os projetos e ações que contribuem para um mundo melhor.

    Paz e Luz!!
    keila

  2. Ismine Lima disse:

    Familia chugaboom, tenho um recado pra voces. Quero comunicar que o teatro lambe-lambe foi contemplado com o selo do cultura viva, do Minc é um selo importante para todos que fazem o teatro lambe-lambe, nós fizemos o projeto mais o selo vai para todos
    lambelambeiros. Me escrevam…. caixa.lambelambe.blogspot. com
    ou circodepapel@uol.com.br Ismine Lima

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